JF Diorio/AE
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Manifestação atrasa voos em Cumbica

Estrada foi fechada por protesto que reuniu 5 mil pessoas e dificultou a chegada ao aeroporto, tanto de passageiros quanto de tripulantes

O Estado de S. Paulo

21 Junho 2013 | 23h55

SÃO PAULO - Cerca de 5 mil manifestantes interditaram na sexta-feira, 21, a Rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, impedindo que passageiros e tripulantes chegassem ou saíssem do local. Já na Via Dutra, houve saques a veículos parados, incluindo a um furgão dos Correios.

Segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), 111 voos atrasaram até as 23h. Outros 23 foram cancelados. A manifestação só foi dispersada por volta das 22h30, com a intervenção da Tropa de Choque, com bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Houve ainda apoio da Força Tática para tirar manifestantes da área do acostamento.

A interdição da rodovia começou a ser montada por volta das 17h. Muitos passageiros que ficaram presos no bloqueio desceram dos carros e tentaram seguir a pé pela via para não perder voos. Alguns foram hostilizados por manifestantes.

Márcio Miranda Alves, de 39 anos, doutorando de Literatura, teve de descer do ônibus onde estava e andar por cinco quilômetros até chegar ao aeroporto, carregando uma bagagem de 9 quilos nas costas. "Fiquei sabendo só quando vim para cá. Na quinta, eu fui para a Paulista, não posso reclamar."

Muitos passageiros estavam assustados, com medo de serem assaltados na pista. A ideia foi formar grupos para não atravessar a Hélio Smidt sozinhos na escuridão. Os manifestantes gritavam frases como "É, é, é, vai ter de andar a pé".

O ato de protesto reuniu famílias inteiras com bandeiras do Brasil. As reivindicações eram várias, desde melhorias na educação até a construção de piscinas nas escolas. "Eu vim aqui para proteger minha família. Isso é para mostrar que o povo brasileiro não é pacífico", disse o funcionário dos Correios Fábio Stefen, de 33 anos. O protesto foi espontâneo e os manifestantes não indicaram uma liderança: foi organizado "pelo povo do Facebook".

Às 19h, as portas do saguão principal do aeroporto foram fechadas por policiais federais e o sistema de alto-falante orientou os passageiros que estavam do lado de dentro a fazer o check-in e seguir o mais rápido possível para os portões de embarque. Pessoas foram orientadas a ficar longe de portas e janelas de vidro que dessem visão para o lado de fora, mas os manifestantes não chegaram a se aproximar do aeroporto.

No Terminal 4, a Tropa de Choque e policiais federais fizeram um cordão de isolamento com cães. Alguns manifestantes tentaram entrar, mas o acesso ao terminal só foi permitido àqueles que iriam viajar - a identificação ficou a critério dos policiais. Os manifestantes vaiaram os PMs.

A operadora GRU Airport informou no início da noite que o aeroporto "operava normalmente para voos e decolagens". Segundo o Estado testemunhou de dentro do terminal internacional, porém, vários aviões estavam parados na pista na frente dos portões, incapacitados de decolar por falta de tripulantes. O terminal estava lotado de passageiros, e funcionários das empresas aéreas informavam que não havia horário previsto para decolagens.

A TAM informou às 21h que "por causa das restrições de acesso ao aeroporto" isentaria seus passageiros de taxas de remarcação e reembolso de passagens nos voos.

Dutra. Na Via Dutra, manifestantes saquearam um carro, um furgão dos Correios e caminhões na frente da reportagem, por volta das 19h15. Outro furgão vazio dos Correios acabou apedrejado. Em outros roubos foram levados celulares, remédios, travesseiros, cobertores, entre outros itens. Depois de passarem algum tempo apenas observando, os policiais rodoviários federais dispararam tiros para o alto e dispersaram o grupo. /LUCIANO BOTTINI FILHO, UBIRATAN BRASIL, HERTON ESCOBAR, ISADORA PERON, RENATO VIEIRA e CAIO DO VALLE

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