Mangueira arrepia Sapucaí na 2ª noite com duas baterias, mas estoura tempo

Problema em último carro alegórico fez agremiação perder 6 décimos ; Salgueiro fechou 1ª noite como favorita e Tijuca teve problemas

O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2013 | 02h02

A Mangueira arrepiou a Marquês do Sapucaí ontem por volta das 23h40 ao colocar duas baterias - a verde e a rosa - para conduzir alternadamente seu samba-enredo Cuiabá: Um Paraíso no Centro da América! A escola levantou o sambódromo na segunda noite do Grupo Especial do Rio, mas estourou o tempo regulamentar em 6 minutos e perdeu 1 décimo a cada minuto de atraso, o que ameaça a conquista do título. A escola concluiu a apresentação, após 1h28, no início da madrugada de hoje.

O desfile foi comprometido por um problema no último carro alegórico, que representava Cuiabá como sede da Copa. Uma borboleta, que se destacava no alto da alegoria, ficou presa na torre reservada aos fotógrafos, causando o atraso. A escola também será penalizada em evolução, uma vez que foi aberto um enorme vazio entre o carro e o restante dos componentes.

Entrar na avenida com duas bateria, que produziram um efeito emocionante, pode ter deixado a escola mais lenta. O presidente da Mangueira, Ivo Meirelles, chorou com os problemas no desfile. "Nós sabíamos que atrasaríamos um minuto, mas preferimos perder um décimo e terminar o desfile sem correr. No fim, com o problema (do carro), acabamos atrasando mais", afirmou. Ele, no entanto, não credita a lentidão às duas baterias, com 500 ritmistas.

Primeira a desfilar, a São Clemente abusou das paradinhas e da irreverência em sua passagem pela Sapucaí. Foram cinco paradinhas que fizeram os integrantes da escola cantar o samba-enredo Horário Nobre, sobre as telenovelas brasileiras. O público, no entanto, não entrou no clima e não acompanhou, tirando o brilho da escola.

A São Clemente teve pequenos problemas. O calor e o peso das fantasias castigaram as baianas. Duas componentes passaram mal. Em outras alas, os integrantes desfilaram segurando chapéus e partes das fantasias, que se desfaziam na apresentação. A comissão de frente levou à avenida personagens históricos de novelas como Irmãos Coragem, Roque Santeiro, Que Rei Sou Eu, Escrava Isaura e até fenômenos recentes, como Avenida Brasil, com a vilã Carminha.

A Beija-Flor, campeã de seis dos últimos dez carnavais do Rio, prestou uma homenagem patrocinada à raça de cavala mangalarga marchador. A escola foi a terceira a entrar na Sapucaí, já no início da madrugada de hoje. A comissão de frente ganhou a simpatia do público ao apresentar São Jorge, padroeiro da Beija-Flor e cultuado por muitos sambistas, acompanhado por seus soldados. A escola também teve cavalos de Troia e animais importantes em civilizações primitivas. O traje dos ritmistas faz menção aos ciganos.

Primeira noite. A Portela e a União da Ilha foram as escolas mais aplaudidas na primeira noite. As duas optaram por enredos sem patrocínio. Enquanto a Portela homenageou o bairro de Madureira, que completa 400 anos, e seu torcedor mais ilustre, Paulinho da Viola, a Ilha reverenciou o centenário de nascimento do poeta Vinicius de Moraes.

Como era esperado, o Salgueiro, ainda na noite de domingo, e Unidos da Tijuca, a atual campeã, foram as escolas mais luxuosas e técnicas da primeira noite. Problemas na evolução das alegorias e socorro de componentes que passaram mal podem fazer a Tijuca perder pontos. Exuberante e com alegorias muito bem acabadas, o Salgueiro contou a história da fama. A escola recebeu R$ 3,5 milhões da revista Caras. / ANTONIO PITA, CLARISSA THOMÉ, FÁBIO GRELLET, HELOISA STURM, MONICA CIARELLI, SÍLVIO BARSETTI E TIAGO ROGERO

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