William Volcov/Brazil Photo Press
William Volcov/Brazil Photo Press

Manequins acima de 44 lotam Memorial

Evento de moda voltado às gordinhas, Fashion Weekend atrai lojistas de várias partes do País

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2013 | 02h05

Para cerca de mil pessoas em um auditório lotado no Memorial da América Latina, na zona oeste, um grupo de 60 modelos, todas vestindo manequim a partir de 44, desfilaram anteontem na sétima edição do Fashion Weekend Plus Size, evento de moda para gordinhas que vem se firmando como vitrine de tendências para o público GG.

De mulheres mais "cheinhas" que querem se manter na moda a lojistas interessados em fazer negócio com as marcas mostradas na passarela, o desfile também atraiu parentes e amigos de modelos e entusiastas do direito das gordinhas de se vestir bem. "Quis vir nas outras edições, mas sempre acontecia algo e não dava. Sigo a Renata (Poskus, organizadora do desfile e colunista de moda plus size de TV) pelas redes sociais há anos. Não era plus size. Fiquei assim há 15 anos. O desfile serve para eu ver as tendências na hora de fazer as compras", diz a artesã Ana Paula Nunes Almeida dos Santos, de 36 anos.

Neste ano, 12 marcas participaram do desfile, que serve como chamariz para uma feira de negócios em que fábricas nacionais especializadas em manequins maiores expõem catálogos para lojistas varejistas.

A exposição dos estandes, no salão do Memorial - antessala para o auditório -, faz o lugar lembrar coquetéis de inauguração de loja, com decoração caprichada e música ambiente. "Já até cheguei a fazer uma venda hoje. Mas o evento aqui é mais para fazer contatos, agendar visitas", diz o representante comercial Claudemiro Fukumatsu, de 52 anos, de uma fábrica plus size de Americana, no interior do Estado. "Valeu a pena: conversamos com compradores de Brasília, Belo Horizonte e do Piauí."

A maioria das modelos é do casting da organização da feira. Mas há algumas exclusivas de algumas marcas. É o caso de Sara Souza, de 24 anos, que no sábado acabou sem desfilar porque esqueceu de seu material. "Meu pai é representante da marca. Um dia, as meninas do marketing me viram e chamaram para o desfile."

Como a maioria das modelos do gênero, Sara não vive da beleza. Estudante de Administração, trabalha em uma empresa de cosméticos. Ela diz que gostaria de viver apenas dos desfiles plus size, mas o cachê (que não quis revelar) não permite. Outra modelo, que pediu para não ter o nome publicado, contou que o desfile de sábado lhe rendeu R$ 300.

Na passarela. A diferença das modelos plus size semi-profissionais para as tops tradicionais - mais magras e bem pagas - é a espontaneidade na passarela. Também chamam a atenção o jeito de andar mais amador sobre os enormes saltos e a indisfarçável timidez nos desfiles de roupa íntima e de moda praia.

Com quatro desfiles de experiência, a bancária Jéssica Ferna, de 27 anos, diz que já está acostumada com as passarelas e sonha em poder viver apenas de sua beleza. "Frio na barriga, a gente sempre tem, mas gosto muito", conta. No sábado, ela exibiu modelos de três marcas de roupa.

Os desfiles são filmados e fotografados com celulares pelo público e as imagens, postadas nas redes sociais. No fim de todos os desfiles, as estilistas - em sua maioria, magras - são aplaudidas pela plateia. A música vai do som eletrônico das baladas da Vila Olímpia ao rock clássico, de Jimi Hendrix e companhia.

A chefe. Com 31 anos de idade, a dona da festa, a paulistana Renata Poskus, diz que o desfile deste ano teve "mais qualidade". "Neste ano, tivemos pela primeira vez uma rede varejistas desfilando (Casas Pernambucanas). Isso é muito para a gente, que está acostumada a ouvir 'não' das marcas, que não querem se associar sua imagem à de mulheres gordas."

É ela quem seleciona as modelos, que vêm de círculos de amizade e da procura em redes sociais.

No desfile, o "fat pride" - movimento em defesa das gordinhas surgido no começo da década nos Estados Unidos - também fica todo com ela: "Esse desfile desenvolve a moda e dá às gordas o direito de ser sensuais. Hoje estou aqui com animal print (estampa de animal na camiseta) e saia de paetê. Quando, há alguns anos, seria possível ver uma gorda vestida assim?"

Tudo o que sabemos sobre:
Fashion Weekend plus size

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.