Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

''Mamaço'' reúne 50 mães na Paulista

Evento foi um protesto contra o Itaú Cultural, cuja funcionária impediu visitante de amamentar

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2011 | 00h00

Com o filho Francisco, de 2 meses, acomodado em um sling (espécie de tipoia de bebê), a dona de casa Marina Barão parece espantada com a dimensão que o manifesto batizado de "mamaço" tomou ontem no Instituto Itaú Cultural da Avenida Paulista. No fim de março, ela foi impedida de amamentar o filho por uma educadora do instituto que acompanhava crianças em uma mostra do artista plástico Leonílson. "Meu filho estava chorando, tirei o peito para dar leite e ela me pediu gentilmente para sair dali. Disse que eu poderia amamentar na sala do bombeiro, mas estava fechada. Então, fiquei na escada", conta. O caso foi parar na internet, onde se espalhou rapidamente e virou manifesto (pacífico). Cerca de 50 mães estiveram no ato, seguido de performance.

O diretor do instituto, Eduardo Saron, explicou que houve ruído na comunicação. "Uma regra museológica estabelece que não é permitido comer no espaço da exposição. Faz parte dos cuidados para preservação das obras. A educadora não teve culpa, simplesmente entendeu que amamentar também é alimentar."

Depois de dizer que seu filho de 8 meses não foi amamentado ("Minha mulher não teve leite"), Saron otimizou o mamaço. Disse que o episódio serviu para ele rever a política de atendimento ao público, manifestou apoio ao evento e afirmou que está pensando em programação para esse público específico. "Vamos investir em contação de histórias e peças específicas para bebês."

Mantra. Coordenadora do grupo Gama, de apoio à "maternidade consciente e ativa", Ana Cristina Duarte, de 45, disse ter aproveitado que o instituto se colocou à disposição do mamaço para promover um ato pró aleitamento. Mãe de Guido, de 2, a performer Fafi Prado, de 40, leu um texto, caminhando descalça entre as mães presentes: "Leite é fonte, pão e água, é um sentimento. Leite é mantra: "Eu te dou, eu me dou, eu te dou, eu me dou"."

Vários grupos de apoio à amamentação estavam representados. Como o Facebook retirou do ar uma foto em que Kalu Brum, do grupo Mamíferas, aparecia amamentando seu filho, algumas participantes do manifesto resolveram publicar imagens em que aparecem oferecendo o peito aos filhos.

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