MAM faz balada para surdos hoje

Museu importou piso que vibra e DJ de aromas

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h04

Um grupo de jovens bem animados chamou a atenção de quem estava ontem à tarde no Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Eles dançavam na frente do Museu de Arte Moderna (MAM), faziam gestos que lembravam os do hip-hop e pareciam estar divertindo-se muito. Até aí, tudo bem. Só que eles dançavam sem música.

Poucos sabiam que esse grupo era formado por jovens surdos e participantes de uma clínica de dança. A atividade era uma das 15 administradas na 2.ª Semana de Sinais da Arte, que atraiu 500 participantes. Para eles, a aula era, digamos, um "esquenta" para o grande encerramento do evento, que ocorre hoje à noite, quando uma das salas de exposição do museu será esvaziada para receber a 1.ª Sen City de São Paulo. Trata-se de um festão fechado. Organizado para surdos, foi idealizado na Holanda pela Skyway Foundation, que firmou uma parceria como o MAM.

"A festa tem uma estrutura que viabiliza a dança para os surdos", explica Daina Leyton, coordenadora do Departamento Educativo e da Acessibilidade do MAM. O chão da sala será forrado, por exemplo, com plataformas que vibram com a música.

"Sentimos no corpo as batidas mais graves e escutamos muito de longe os sons mais agudos da música. O chão especial aumenta essa sensibilidade", diz Leonardo Castilho, de 23 anos, surdo desde os oito meses de vida, e um dos colaboradores da organização da festa.

A Sen City ainda terá dançarinos profissionais, como o holandês Sehat Agacan, de 29 anos. Com a linguagem dos sinais, ele traduz para o público as letras das músicas, mas de um jeito cheio de ginga, que também transmite o ritmo da balada.

Agacan tornou-se dançarino da Skyway há cinco anos, depois de tentar, em vão, fazer uma aula de dança para alunos ouvintes. "Sai frustrado, triste. Quando descobri o grupo dos sinais da Skyway, vi que era possível dançar."

Aromas. A balada do MAM terá também um DJ de aromas. "Ele mistura cheiros que tenham a ver com a música que está tocando", conta Daina. Para aumentar o clima, haverá gelo seco, redes espalhadas pela sala e um cardápio sensorial, mais apimentado, preparado pela banqueteira Neka Menna Barreto. Daina explica o porquê de tanto capricho: "A ideia é que a Semana de Sinais vire referência no calendário da cidade."

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