MAM deve tornar-se o realizador oficial da 30ª Bienal de SP

Ministério da Cultura anuncia nos próximos dias a instituição que será proponente legal do evento, em setembro

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

16 Março 2012 | 03h04

SÃO PAULO - Fontes do Ministério da Cultura (MinC) afirmam que o Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo deve ser anunciado nos próximos dias como o novo proponente da 30.ª Bienal de São Paulo, prevista para ser inaugurada em setembro. Acirradas, as últimas negociações do governo federal com representantes da Fundação Bienal de São Paulo, Advocacia-Geral da União (AGU), MAM e do Instituto Tomie Ohtake - este também indicado pelo MinC para o projeto de troca do proponente da mostra - ocorreram anteontem em São Paulo. A decisão ainda será anunciada pelo Ministério da Cultura, e um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) vai ser assinado entre os envolvidos para que a mostra seja aberta para o público no dia 7 de setembro.

"Precisamos que o MinC defina a instituição para que a gente possa começar a ter um processo de negociação mais detalhado para realizar a mostra. Estamos otimistas", afirmou anteontem Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal de São Paulo, em evento dos 25 anos do Itaú Cultural no Auditório Ibirapuera. "Os R$ 12 milhões já captados vão ser transferidos para o novo proponente", disse Martins. Segundo ele, a 30.ª Bienal de São Paulo está orçada entre R$ 20 milhões e R$ 21 milhões - os recursos restantes ainda terão de ser captados.

"A única saída é ter outro proponente para que haja a mostra. O conselho endossa todas as negociações da diretoria da Bienal", afirmou, na terça-feira, o colecionador Adolpho Leirner, membro do conselho da Fundação Bienal de São Paulo, depois de reunião dos conselheiros da instituição. "Mas temos de deixar claro que essa é uma solução pontual para o problema da instituição, para que não se construa aquela ideia de que a Bienal de São Paulo está voltando para o MAM", disse Julio Landmann, também conselheiro da fundação.

Ele se referia à história dos primórdios da Fundação Bienal, que, quando instituída, em 1951, tinha como sede o MAM.

O problema sobre o futuro da 30.ª Bienal começou em janeiro. No início do ano, a Fundação Bienal de São Paulo entrou na lista de inadimplentes do MinC por causa de questionamentos da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre convênios firmados pela instituição paulistana entre 1999 e 2007 (das gestões de Carlos Bratke e Manoel Pires da Costa, ambas anteriores à atual diretoria da entidade).

Pelos cálculos da CGU, a irregularidade dos convênios teria acarretado rombo de cerca de R$ 75 milhões. Com a criação de um TAC para que a 30.ª Bienal tenha outro proponente legal que não a própria fundação, o processo de prestação de contas dos convênios questionados ocorrerá em paralelo.

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