Major morto em assalto era especialista em gerência de crises e reféns em SP

Corpo do policial deve ser enterrado no interior do Estado na 6ª; ele planejava reencontrar o filho

Jair Aceituno, especial para O Estado de S.Paulo

08 Dezembro 2011 | 18h20

NOVO HORIZONTE - O corpo do major Sandro Moretti da Silva Andrade, morto na noite de quarta-feira no assalto à casa de materiais de construção no M'Boi Mirim, na zona sul de São Paulo, chegou a Novo Horizonte no final da tarde desta quinta-feira, 8, onde seria velado durante à noite e madrugada. Ele deve ser enterrado na manhã de sexta-feira, com honras militares, em Nova Granada - sua cidade natal.

Moretti era um profissional experiente. Formou-se na turma de 1988 da Academia do Barro Banco e começou a carreira como bombeiro e, em seguida, comandou unidades da força tática da PM em São José do Rio Preto. Como capitão, comandou as companhias de Fernandópolis e Novo Horizonte, onde atuou entre 2005 e 2008.

Então, foi promovido a major e transferido para a região metropolitana, trabalhando inicialmente em Parelheiros. Há cinco meses assumiu como subcomandante do batalhão de Santo Amaro. Sua morte, nas condições que ocorreu, surpreendeu a todos que com ele conviveram, principalmente os policiais.

"É difícil falar à distância sobre um acontecimento, mas todos somos cientes de que o major sabia o que estava fazendo naquele lugar e até os riscos que corria, pois era um profissional experiente, detentor de cursos de gerenciamento de crises, inclusive com reféns, na SWAT (polícia especializada dos EUA), em Israel e na própria Polícia Militar, onde também atuava como instrutor nessa área" - afirma o capitão Rodrigo Renato Carmona, atual comandante da companhia de Novo Horizonte.

Mesmo depois da transferência para a capital, Moretti continuou morando em Novo Horizonte, pois ali se casou quando comandava a unidade e hoje tem uma filha com dois anos de idade. Desde o anúncio da morte, a PM local cuidou de proteger e amparar sua mulher e filha e preparar o velório.

A morte do policial é comentada por muita gente. Adelcio Pedro, o "Preto", dono de um bar próximo à seda da PM diz que Moretti "era um amigo de todos" e "dava mais conselhos do que prendia". Falou também que, mesmo fora do seu expediente de trabalho e à paisana, não se furtava a resolver problemas que surgissem.

Lembrou que, dentro do seu perfil trabalhador, teve grande atuação no combate ao som alto em veículos e outras fontes de perturbação do sossego da população. Ontem, pelas ruas da cidade, transeuntes indignados, comentavam o ocorrido.

Primogênito Com o primeiro filho, hoje de 18 anos, Sandro só teve contato quando era bebê. Após a separação do casal, sua ex-mulher retornou com a família para Abu-Dhabi e levou a criança, rompendo contatos e vínculos. Pai e filho só se reencontraram há alguns meses, pela internet, e chegaram a falar pelo telefone. Já haviam marcado se encontrar no próximo ano. Segundo colegas, o reencontro com o filho era, ultimamente, a grande meta do major.

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