Major da PM deixa colete no armário, vai negociar rendição e acaba morto

Após negociar por quase uma hora com um ladrão que invadiu um depósito de materiais de construção e fazia reféns na zona sul de São Paulo, o major Sandro Moretti Silva Andrade, de 46 anos, foi assassinado com um tiro no tórax pelo bandido. O assaltante simulou uma rendição para enganar os policiais e fugir. O oficial da PM estava em horário de folga na noite de anteontem e não usava colete à prova de balas.

ADRIANA FERRAZ , MARCELO GODOY, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2011 | 03h03

Segundo a PM, Andrade esqueceu sua proteção pessoal no armário, ao sair apressado do batalhão para atender a ocorrência. No local, chegou a emprestar um colete, mas o entregou a um cinegrafista da TV Bandeirantes que acompanhava a ação - a presença da reportagem era uma exigência do assaltante para se render.

Além do major, o soldado Cesar Aurélio Cavalcanti, de 42 anos, também foi baleado pelo bandido, mas não corre risco de morte. Após disparar três vezes contra os policiais, Osmar José Soares, de 30 anos, foi atingido por oito disparos e morreu no local. Ele era procurado pela Justiça desde janeiro, quando fugiu do Presídio Adriano Marrey, em Guarulhos, na Grande São Paulo. Cumpria pena por roubo, formação de quadrilha e tráfico.

O depósito, que fica na Estrada do M'Boi Mirim, foi invadido por três ladrões por volta das 19h. O trio fez sete reféns, entre homens e mulheres. Dois suspeitos conseguiram fugir, levando uma quantia em dinheiro não revelada. Soares permaneceu no local para amarrar os reféns, mas, ao sair, deu de cara com a polícia.

Segundo o relato de testemunhas, o assaltante morto na operação era o líder do grupo e em momento nenhum pensou em se entregar. "O intuito desde o começo era fugir. Ele queria abrir espaço a balas", disse o delegado Fábio Guedes Rosa, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Ontem, a PM informou que o major, que era subcomandante do 1.º Batalhão de PM, estava "devidamente fardado para a função administrativa que executava", mas, ao se dirigir para a ocorrência, "não seguiu o protocolo, que exige o uso do colete". Apesar da falha, o equipamento não o teria salvo, pois a bala entrou por um lado não protegido pelo colete. Ela perfurou o braço esquerdo e foi parar no tórax.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.