'Mais uma vez, Salto paga pelos erros dos outros', diz secretário sobre morte de peixes

'Mais uma vez, Salto paga pelos erros dos outros', diz secretário sobre morte de peixes

Milhares de peixes morreram no rio Tietê, no município de Salto, por causa de manta de poluição

Chico Siqueira, Especial para o Estado

29 Novembro 2014 | 13h33

ARAÇATUBA - A quantidade de peixes mortos pela manta de poluição, que na quinta-feira, 27, escureceu as águas do rio Tietê, em Salto, revoltou moradores e autoridades do município na manhã deste sábado, quando teve início a operação de retirada dos peixes no Córrego do Ajudante.

Na sexta-feira, a estimativa das autoridades era de que entre 300 e 400 quilos de peixes fossem retirados do córrego, mas ao chegar ao local, na manhã deste sábado, 29, as equipes da Prefeitura se surpreenderam ao se deparar com milhares de peixes mortos.

“São toneladas e toneladas de peixes. Vamos ter de usar uma máquina retroescavadeira para retirar tantos peixes e usar um caminhão para transportá-los. É revoltante esta situação. Trata-se de um dano ambiental que não consigo mensurar acarretado para Salto. Mais uma vez, Salto paga pelos erros dos outros”, desabafou o secretário do Meio Ambiente de Salto, João De Conti Neto.

Época de piracema, os peixes, na maioria Corimbas e Bagres, subiam a correnteza quando se depararam com a manta poluidora –estimada pela SOS Mata Atlântica em 70 kms de extensão. Para fugir, os cardumes entraram no Córrego do Ajudante, que é raso (cerca de 50 a 60 centímetros), e morreram asfixiados por falta de oxigênio.

A remoção dos peixes começou às 7 horas deste sábado, mas não tem prazo para terminar. “Possivelmente teremos de continuar no domingo”, afirmou Conti Neto. O secretário disse que vai acionar o Ministério Público para que apure as responsabilidades pelo acidente ecológico.

Mas o problema, segundo ele, é que mais peixes deverão aparecer mortos em outros municípios, uma vez que manta poluidora está descendo o rio em sentido ao Interior. A SOS Mata Atlântica já alertara na sexta-feira que o fenômeno, na verdade, era um “acidente de grandes proporções”. De  acordo com a coordenadora da entidade, Malu Ribeiro, a manta poluidora tem cerca de 70 kms de extensão e deveria chegar ainda na sexta-feira ao reservatório de Barra Bonita, onde a carga tóxica se assentaria no fundo do rio.

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