Mais um secretário da gestão Kassab é citado em investigação do ISS

Atual subprefeito interino de Pinheiros, Antonino Grasso solicitava favores ao grupo na arrecadação de IPTU e teria dado dinheiro a um dos auditores suspeitos

Artur Rodrigues, Bruno Ribeiro, Fabio Leite e Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2013 | 02h02

Mais um secretário da gestão Gilberto Kassab (PSD) foi relacionado à quadrilha acusada de cobrar propina para reduzir impostos em São Paulo. Segundo depoimento de uma testemunha mantida em sigilo pelo Ministério Público Estadual (MPE), Antonino Grasso, o Nino, solicitava favores ao grupo na arrecadação de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e teria dado dinheiro a um dos auditores suspeitos. Hoje, ele é subprefeito interino de Pinheiros, indicado por seu partido, o PV, ao prefeito Fernando Haddad (PT).

Nino foi secretário municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida entre abril e outubro de 2012. Chefe de gabinete da Subprefeitura de Pinheiros desde junho, ele é o terceiro nome do primeiro escalão da gestão Kassab a ser citado - os outros são o ex-secretário municipal de Finanças, Walter Aluísio Morais Rodrigues, e seu adjunto, Silvio Dias. A Controladoria-Geral do Município (CGM) vai apurar se Nino praticou irregularidades. Segundo a testemunha, ele "conversava muito com Ronilson (Bezerra Rodrigues, apontado como líder da quadrilha) e (Eduardo Horle) Barcellos (fiscal acusado) na Secretaria de Finanças", diz o relato, que faz parte do Procedimento Investigatório Criminal (PIC).

A testemunha disse também que Nino solicitava favores a Barcellos na arrecadação de IPTU. "Em um caso concreto", segue o depoimento, "ele solicitou algo para Barcellos, que acabou não sendo atendido como deveria. Houve autuação e Nino terminou por solicitar auxílio de Ronilson na defesa do Conselho de Tributos. Ronilson lhe contou que Nino já havia pago algum valor para Barcellos, embora esse tenha negado o recebimento", diz o relato.

É a segunda vez que Nino é citado ao longo da investigação. A primeira foi em 31 de outubro, no depoimento da servidora Paula Sayuri Nagamati, ex-chefe de gabinete da Secretaria de Finanças. Ela já havia contado que Nino pediu ajuda a Rodrigues no conselho, que julga controvérsias tributárias. Paula disse não saber se havia sido feito algum pagamento pela defesa.

Nino permaneceu na Prefeitura sob o comando de Haddad por indicação do PV, partido aliado do prefeito até a votação de reajuste do IPTU na Câmara, no fim de outubro. Na ocasião, apenas Ricardo Teixeira, que havia deixado a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente para participar da sessão, votou a favor. Outros três foram contra.

A testemunha, que seria amiga de Rodrigues, disse ao MPE que frequentava o "ninho da corrupção" - nome dado pelos investigadores à sala comercial do Largo da Misericórdia, utilizada pela quadrilha.

Denúncia. A assessoria do ex-prefeito Gilberto Kassab disse que a investigação preliminar foi iniciada pela sua gestão, por meio da Corregedoria-Geral do Município a partir de denúncia anônima em setembro de 2012. Em nota, a assessoria afirmou que Kassab "ampliou os instrumentos para que a população tenha acesso aos salários dos servidores, aos contratos dos órgãos municipais e das obras públicas em São Paulo".

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