Mais um dia mundial de luta contra a aids

Estudo divulgado nesta semana nos Estados Unidos mostra que 70% dos portadores do HIV, causador da aids, não controlam de forma adequada a infecção pelo vírus, aumentando, assim, o risco de transmissão da doença.

JAIRO, BOUER, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2014 | 02h02

O resultado do trabalho, realizado pelos Centros de Controle de Doenças (CDC), publicado pela agência de notícias AFP, mostra que a maioria dos portadores (mais de 1,2 milhão naquele país) ou não está tomando medicamentos ou não está fazendo o tratamento de forma adequada.

Hoje se sabe que uma das formas mais eficazes de controle da transmissão é "zerar" a carga viral do HIV que circula no organismo, com o auxílio de uma combinação de antivirais. Quanto menos vírus circulando, menor o risco de ele ser transmitido em uma eventual relação desprotegida.

A pesquisa americana ainda revela que os mais novos são os que menos têm recebido cuidado (em geral, porque ainda não fizeram o teste e desconhecem seu status sorológico).

Entre os jovens americanos de 18 a 24 anos, apenas 13% tinham a infecção sob controle, contra uma média de 30% nas demais faixas etárias.

São mais de 50 mil novos casos de infecção pelo HIV, todos os anos, nos Estados Unidos. Pelo Brasil, o Ministério da Saúde deve divulgar os seus novos dados amanhã pela manhã, no dia mundial de luta contra a aids. Mas, se a tendência dos anos anteriores for confirmada, deve haver mais de 30 mil novos casos em 2013, boa parte justamente na população mais jovem, um dos grupos de maior preocupação neste momento.

Entre os jovens, há uma atenção especial aos HSH (homens que fazem sexo com outros homens), já que a prevalência de HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) é maior nessa população, mostrando a necessidade de um foco concentrado de trabalho em prevenção.

Passos. O primeiro grande passo defendido pelas autoridades em saúde é o aumento do diagnóstico (teste para o HIV). Segundo dados da Unaids (órgão da Organização das Nações Unidas responsável pelas políticas de controle da aids), mais da metade dos 35 milhões de portadores do vírus no mundo não sabe que tem o HIV. São quase 20 milhões de pessoas que poderiam ter acesso aos cuidados necessários!

A segunda etapa seria garantir que todos os diagnosticados pudessem se tratar, e mais, que as pessoas mantivessem o uso consistente dos antivirais, que são muitos mais efetivos quando tomados regularmente.

E o terceiro objetivo seria, então, que as pessoas que usam remédios conseguissem "zerar" sua carga viral, o que poderia reduzir em até 96% o risco de transmissão. Para a Unaids, se todas essas metas fossem alcançadas, seria possível pensar na erradicação das novas infecções pelo HIV já em 2030 (ou seja, em 15 anos).

Novas tecnologias. Mas, em paralelo, novas tecnologias que devem ganhar espaço no Brasil e no mundo, nos próximos anos, podem diminuir os novos casos de infecção pelo HIV. Um exemplo, em pesquisa, é a profilaxia pré-exposição. Pessoas com alto risco poderiam tomar o remédio de forma contínua como uma forma de prevenção. Os esquemas estudados reduzem a chance de contaminação pelo HIV em mais de 90%.

Outra possibilidade, já disponível na rede pública para situações especiais, é a da profilaxia pós-exposição. Nesse caso, os remédios são iniciados até três dias depois da exposição ao risco (relação sexual sem proteção ou acidente com agulha) e devem ser tomados por cerca de um mês. Os testes rápidos de farmácia para HIV e a chegada de géis antimicrobianos (para serem usados no sexo vaginal e até, quem sabe, no sexo anal) prometem completar esse arsenal.

Mas, ao lado de tudo isso, a camisinha ainda é o recurso mais imediato e mais completo para a proteção dos riscos no sexo. O difícil é fazer que a população que já tem informação (quase todo mundo hoje em dia, principalmente os mais jovens) possa incorporar, de fato, o uso regular e consistente do preservativo. Talvez outro grande desafio para esses próximos 15 anos seja renovar recursos e estratégias de educação e prevenção.

É PSIQUIATRA

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