Mais reputação significa mais financiamento

Todas as universidades do mundo buscam reputação. Uma reputação elevada faz com que a instituição seja procurada por melhores alunos e melhores professores, o que resulta em mais financiamento para suas atividades e uma melhor reputação, e o ciclo recomeça. Reputação é baseada em conceitos subjetivos como tradição e percepção pela sociedade e pelo mundo acadêmico. Para entender qual a real relevância das universidades chinesas no mundo, um grupo de pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University propôs em 2003 indicadores objetivos de pesquisa e criou o "ranking de Shanghai". Esse ranking foi bastante polêmico por considerar apenas indicadores de pesquisa. Como resposta foram criados outros rankings, como o do Times Higher Education (THE), que considera ensino, pesquisa, citações, inovação e internacionalização. Desde 2011, a publicação produz também seu ranking de reputação (R-THE), que busca estimar a fama das universidades da forma mais objetiva que consegue: são enviados questionários para professores universitários escolhidos pelo mundo, reproduzindo a demografia do ensino superior. Nenhuma surpresa no topo: das top 10 do R-THE, oito estão entre as top 10 do THE. Boas práticas conferem prestígio. A América Latina fica melhor no R-THE do que no THE. A USP, nossa única representante entre as top 100 no R-THE, está entre as top 250 no THE. Essa posição é importante para o Brasil, mas seria importante termos mais instituições reconhecidas internacionalmente. Isso só será possível se conseguirmos estabelecer mais canais de cooperação em pesquisa, ganhando prestígio onde ele realmente interessa, e rompermos de vez o histórico isolamento de nossos cursos de graduação. O programa Ciência sem Fronteiras é um passo positivo nessa direção. Mas só com políticas públicas de longo prazo, voltadas para o recebimento de estudantes estrangeiros - ensinando em inglês e criando um ambiente multicultural -, é que nossas instituições poderão ter maior reconhecimento internacional.

ANÁLISE: Leandro Tessler, professor da Unicamp, O Estado de S.Paulo

06 Março 2014 | 02h05

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