Mais quente, menos sexo!

Um curioso estudo que foi divulgado pela agência de notícias Bloomberg na última semana sugere que temperaturas mais elevadas poderiam levar a uma diminuição na frequência das relações sexuais, com uma consequente diminuição da taxa de natalidade. 

Jairo Bauer, O Estado de S. Paulo

08 Novembro 2015 | 03h00

Os resultados são baseados em um relatório do Departamento Nacional de Pesquisa Econômica, dos Estados Unidos, que examinou dados dos últimos 80 anos e concluiu que temperaturas que se aproximam ou superam os 27°C parecem provocar uma queda no número de nascimentos nove meses depois. 

Para os pesquisadores das Universidades de Tulane, da Califórnia em Santa Bárbara e da Flórida Central, o número de nascimentos não se recupera totalmente depois de ondas de calor. Com a elevação da temperatura global, o problema da baixa natalidade, que vem sendo observado em países desenvolvidos, pode agravar-se ainda mais. 

Para os economistas, se as estratégias para a redução das emissões de carbono, que impactam as mudanças climáticas, não forem implementadas com sucesso, os EUA poderão enfrentar de 2070 a 2099 cerca de 64 dias com temperaturas superiores aos 27°C. Só para efeito de comparação, no período de base, de 1990 a 2002, apenas 31 dias superaram essa marca. Esse calor prolongado poderia levar a uma queda na taxa de natalidade, de cerca de 2,6%, ou seja, 107 mil partos a menos a cada ano. 

Estratégias em casa. Em contrapartida, outro trabalho, divulgado na última semana, sugere que uma divisão mais equitativa do trabalho doméstico faria com que os casais ficassem mais satisfeitos com sua vida sexual. 

Pesquisadores da Universidade de Alberta, no Canadá, acompanharam 1.300 casais por cerca de cinco anos e constataram que, quando o homem ajuda mais dentro de casa, o sexo tende a ficar melhor. O estudo foi publicado no periódico Journal of Family Psychology.

A pesquisa traz um viés importante, já que todos os casais eram alemães e diferenças culturais podem afetar a forma como a divisão de trabalho doméstico acontece e, também, como homens e mulheres encaram uma maior colaboração masculina dentro de casa.

Aliás, a divisão mais justa do trabalho doméstico foi tema de outra reportagem, publicada pelo The New York Times na última semana. A matéria mostra que a família americana anda estressada com a falta de tempo, o acúmulo de trabalho e a responsabilidade com os filhos.

Segundo a reportagem, mesmo nas famílias em que os pais dizem que colaboram, as mães se sentem sobrecarregadas com as tarefas de casa e a administração da vida dos filhos. Equilibrar esse tempo é difícil para 56% das famílias americanas. Os dados são do Pew Research Center, de Washington D.C, um think tank que trabalha com questões, atitudes e tendências que estão moldando os Estados Unidos.

Os pesquisadores entrevistaram cerca de 1.800 pais, por telefone, em cada um dos Estados americanos. Quase na metade dos lares, pai e mãe trabalham fora em período integral. Apesar dos maridos colaborarem em casa como nunca fizeram antes, a visão de que a tarefa doméstica é dividida de forma igualitária ainda é distinta para homens e mulheres. Para 56% deles isso acontece, enquanto apenas 46% delas concordam que essa divisão é equitativa.

Pelos últimos estudos, além de contar com um bom ar-condicionado para amenizar a temperatura no quarto do casal, dividir os afazeres de casa de forma mais justa pode ser uma boa estratégia para garantir mais sexo e melhor qualidade nas relações. 

É PSIQUIATRA

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