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Mais proteção contra o HPV

Na última semana, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou a indicação da vacina contra o HPV, vírus causador das verrugas genitais e do câncer de colo de útero, para mulheres até 45 anos. Até então, ela era recomendada apenas para mulheres na faixa dos 9 aos 26 anos.

JAIRO BOUER, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2015 | 02h03

Em teoria, quanto mais precoce for a vacinação (de preferência antes do início da vida sexual), melhor a proteção conferida. Essa é a principal razão de o governo oferecer a vacina gratuita para as garotas antes da adolescência. Mas as mulheres mais velhas também podem ter benefícios.

O HPV (papilomavírus humano), na verdade, é uma sigla que representa uma grande família de vírus. Qualquer verruga em nosso corpo é provocada por um vírus do tipo HPV. Alguns integrantes dessa família têm uma "predileção" pela área genital, são transmitidos pelo contato sexual e podem ter relação direta com o desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como de colo do útero - o terceiro que mais mata mulheres no Brasil -, vulva, pênis, ânus e orofaringe (possivelmente pela maior exposição no sexo oral).

Com a mudança dos hábitos sexuais nas últimas décadas, o mundo tem assistido a um aumento dos casos de HPV. Homens e mulheres têm mais parcerias sexuais ao longo da vida, mulheres mais velhas se separam e podem ter novas experiências, jovens começam a vida sexual cada vez mais cedo (e nem sempre com proteção). Tudo isso apontando para a necessidade de estratégias ampliadas de prevenção.

Apesar da nova indicação, as mulheres mais velhas que quiserem se vacinar contra o HPV deverão recorrer às clínicas particulares ou a esquemas de vacinação disponíveis nas empresas em que trabalham. O mesmo vale para os homens de 9 a 26 anos (que já estavam na indicação inicial da Anvisa). São necessárias três doses para completar o esquema de proteção.

Ampliação. A partir do início de março, a vacina contra o HPV passou a ser oferecida pelo SUS para garotas mais novas, de 9 a 11 anos. No ano passado, quando a vacinação gratuita foi iniciada, o grupo de meninas de 11 a 13 anos é que foi beneficiado. Em 2014, a primeira dose foi recebida por quase 100% das garotas (cerca de 5 milhões), mas a segunda dose (seis meses após a primeira) alcançou menos de 60%. A queda na cobertura aconteceu por um receio das mães sobre os efeitos colaterais e porque a segunda dose foi ofertada nos postos de saúde, não mais nas escolas. A vacina é considerada segura e eventuais episódios de desmaios têm relação com o estresse das garotas por causa do procedimento.

Neste ano, além das meninas de 9 a 11 anos, aquelas na faixa de 11 a 13 anos que, em 2014, não receberam a segunda dose podem completar seu esquema. Mulheres HIV positivas, na faixa dos 9 aos 26 anos, também podem receber a vacina no SUS. Essas mulheres têm risco ainda maior de desenvolver câncer de colo de útero, desencadeado pelo HPV.

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