Mais Médicos tem erro em 45% das fichas

Das 18.450 inscrições, 8.307 trazem registro de CRM inválido; se boicote se confirmar, nem metade das vagas será preenchida

LISANDRA PARAGUASSU , BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2013 | 02h14

O primeiro período de inscrições do programa Mais Médicos terminou à zero hora de sexta-feira com 18.450 profissionais inscritos, quase 3 mil a mais do que as vagas solicitadas pelos 3.511 municípios que aderiram à proposta do Ministério da Saúde. No entanto, 45% das inscrições trazem números errados de registro nos Conselhos Regionais de Medicina, reforçando a suspeita de que pode ter havido boicote ao programa.

"Chama a atenção ter mais de 8 mil CRMs inconsistentes e mais de 1.200 residentes inscritos", afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "Existia um grupo isolado que planejou uma ação, por isso pedimos a investigação da Polícia Federal. Os realmente interessados têm até domingo para corrigir eventuais erros. Torço para isso".

A inconsistência nos dados apareceu depois que o ministério começou a cruzar informações para checar a hipótese de um boicote organizado. Ao verificar os CRMs, descobriu-se que boa parte não existia ou não conferia com os nomes.

Analisando o CPF dos inscritos, foram encontrados médicos em programas de residência, que dificilmente largarão os cursos para se dedicar ao Mais Médicos. Os que quiserem fazer isso terão de apresentar uma declaração abrindo mão da residência. Por outro lado, quem efetivar a inscrição e desistir depois não poderá se candidatar de novo por seis meses.

Até agora, pouco mais de 3 mil médicos completaram sua inscrição, dando todas as informações necessárias e os documentos para homologar sua participação. Até domingo, os médicos interessados poderão completar a inscrição e também escolher as cidades onde querem trabalhar.

Estrangeiros. Se a suspeita de boicote se confirmar, o programa terá atraído pouco menos da metade dos profissionais necessários para suprir as 15.460 vagas pedidas pelos municípios. No dia 6 de agosto, o ministério abre novamente a inscrição para as vagas remanescentes. Segundo Padilha, haverá esforço maior para chamar médicos estrangeiros, se não houver interessados brasileiros.

Nesse primeiro momento, 1.920 médicos com registro de trabalho em 61 países do exterior se inscreveram, a maioria de Portugal, Espanha e Argentina. Há profissionais formados em Cuba, não necessariamente cubanos. Nesse momento, porém, as inscrições ainda são individuais - a participação dos cubanos seria por meio de convênio, já que os médicos de lá só saem do país com autorização e sob contrato com o governo da ilha. "Cuba e outros modelos de cooperação coletiva nós vamos analisar depois", disse Padilha.

Os médicos que confirmarem sua inscrição precisarão apontar seis cidades em que gostariam de trabalhar. Na lista constam capitais, regiões metropolitanas, cem municípios de maior vulnerabilidade social, cidades com mais de 20% da população em pobreza extrema e outros.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.