Mais Médicos preenche 10,5% das vagas

Primeira etapa teve 1.618 confirmações de inscrição; 358 estrangeiros chegarão ao País para trabalhar

LAÍS ALEGRETTI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2013 | 02h49

A primeira seleção do Mais Médicos confirmou 1.618 inscrições - 10,5% da demanda por 15.460 profissionais requisitados por 3.511 municípios. O Ministério da Saúde anunciou ontem que 522 inscritos trabalham no exterior. São 358 estrangeiros e 164 brasileiros que estudaram fora. O total de médicos da primeira etapa vai atender a 6,5 milhões de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

Os médicos do exterior chegam ao País entre os dias 23 e 25. Com a baixa adesão na primeira fase, o governo federal dará início, na segunda-feira, a uma nova rodada de inscrições de profissionais no Mais Médicos. Para a segunda etapa, a previsão é de que os profissionais cheguem em 1.º de outubro.

A maioria dos médicos estrangeiros da primeira etapa atua na Argentina (141), na Espanha (100) e em Cuba (74). Eles terão de fazer um curso de acolhimento, com aulas de legislação, saúde indígena e doenças tropicais. O profissional que desistir do programa no prazo de seis meses terá de fazer reembolso.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse que muitos dos médicos têm experiência em saúde da família. "Isso reforçará a ideia da atenção básica no nosso País", afirmou. "Precisamos mudar a mentalidade de que saúde só se faz dentro do hospital. Precisamos reforçar a mentalidade de que a saúde começa onde as pessoas vivem e trabalham, fora do hospital."

O governo federal informou que 67,3% dos locais em que vão atuar os profissionais são considerados de extrema pobreza e distritos de saúde indígena.

Dentre os municípios prioritários, 703 não foram selecionados por nenhum médico. Entre as cidades, 604 são de extrema pobreza e 97 estão em regiões metropolitanas. "O diagnóstico principal é de que temos número insuficiente de médico no País", afirmou Padilha.

O vice-presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Carlos Vital, afirmou que o resultado do programa configura um fracasso. "A baixa adesão reflete tensão entre os médicos estrangeiros em relação ao programa, que configura verdadeiro trabalho escravo", disse. O CFM orientou os conselhos regionais a ingressar na Justiça contra a obrigação de registrar eventuais estrangeiros.

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