'Mais importante é restaurar a coesão'

Quais são os principais desafios do próximo reitor da USP?

Entrevista com

O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2013 | 02h04

O mais importante é restaurar a unidade e a coesão da USP, que passa por um processo de deterioração das relações entre as pessoas e os grupos. O segundo desafio é a valorização do ensino da graduação, que precisa voltar a ocupar um papel central. O terceiro diz respeito a aumentar a inclusão, sempre mantendo a qualidade e excelência.

É favorável a cotas a negros no vestibular da USP?

Sou favorável a alcançarmos metas de inclusão já definidas pela USP. Agora temos de examinar se essas metas estão sendo atingidas ou não. Se os dados indicarem que progredimos pouco, teremos de rediscutir a nossa estratégia.

Como aliar a expansão com a exigência de qualidade?

Temos uma universidade que já é muito grande, cuja gestão é complexa. Não podemos fazer grande expansão. De qualquer modo a USP precisa dar contribuição mais significativa ao Estado. Isso deve ser feito com ampliações limitadas em áreas que precisam de formação de qualidade e ajuda às escolas que tenham formação de pior qualidade.

Como tornar a USP mais forte no cenário internacional?

A USP está muito bem no cenário internacional se considerarmos seu tamanho e abrangência. Há reforços que precisam ser feitos. Vamos instituir um programa de acompanhamento dos nossos egressos porque isso mede a qualidade de ensino. Muitas universidades estrangeiras têm bons sistemas de acompanhar ex-alunos e nós não temos. Outras coisas precisam ser reforçadas, como nossas estruturas de receber pessoas e nosso relacionamento com a América Latina e a África.

Como melhorar o diálogo com o movimento estudantil?

Conversando com os estudantes. Tenho certeza de que conseguiremos dialogar, discutir e até discordar, o que é bom, porque os jovens é que promovem as mudanças do mundo. Isso sem nunca esquecer nosso papel de educadores. Quando o educador não consegue conversar com jovens que educa, ele falhou em sua missão.

O senhor pretende manter a Polícia Militar nos câmpus?

Reavaliaremos se a preservação da vida e do patrimônio deve ser feita pela polícia ou uma alternativa. Mas o uso de forças policiais para contenção de manifestações não cabe jamais, desde que se respeite o direito da discordância.

Como enfrentar os problemas ambientais da USP Leste?

Nossa principal preocupação é atender às recomendações da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo). Não é ganhar ou perder na justiça, mas garantir a segurança dos alunos, professores e funcionários. / B.F.S e V.V.

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