Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Mais dois suspeitos de pichar Pátio do Colégio são ouvidos pela polícia

Outros dois investigados foram interrogados na quinta-feira, 12; suspeitos alegam viés 'ideológico', mas polícia acredita em motivação 'mercantil'

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 15h13

SÃO PAULO - Duas pessoas suspeitas de terem participado da pichação do Pátio do Colégio, no centro da cidade de São Paulo, foram ouvidas pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) de São Paulo na terça-feira, 17. A Polícia Civil não divulgou os nomes dos investigados, mas informou que eles foram liberados após prestar depoimento.

Na quinta-feira, 12, o confeiteiro João Luís Prado Simões França, de 33 anos, e a fotógrafa Isabela Tellerman Viana, de 23 anos, confessaram participação na pichação do Pátio do Colégio. O ato é considerado um crime ambiental, que tem pena de seis meses a um ano de prisão, o que deve ser convertido em prestação de serviço por ser de natureza leve. Além disso, ambos foram multados em R$ 10 mil pela Prefeitura de São Paulo.

+++Foto de pichações de homem que atacou Pátio do Colégio é vendida por até R$ 2,2 mil

Conhecido pelo apelido M. I. A. (sigla de Massive Ilegal Arts, "artes ilegais de massa" em tradução livre), França é conhecido por fazer pichações com extintores de incêndio adaptados e com cascas de ovos (que têm o interior preenchido com tintas coloridas). À polícia, ele confessou participação em diversos outros atos do tipo, que tiveram como alvo, dentre outros, a estátua do Borba Gato e o Monumento às Bandeiras, em 2016, e o muro do Estádio do Pacaembu, em 2017.

Segundo o delegado Marcos Galli Casseb, os investigados alegam motivação "ideológica", pois o Pátio do Colégio - pichado com a frase "Olhai por nois" na madrugada de terça-feira, 10, é um espaço ligado à catequização dos índios brasileiros. A polícia acredita, contudo, que o crime tem viés "mercantil", pois França costuma fotografar o resultado de suas pichações, o que, posteriormente, é exibido e comercializado em galerias de arte. Como revelou o Estado, as imagens chegam a custar mais de R$ 2,2 mil em sites especializados.

Recuperação. O mutirão de limpeza e pintura da fachado do Pátio do Colégio começou às 6 horas de segunda-feira, 16.  Todo o trabalho de recuperação é feito com a participação de cerca de 100 voluntários e com o uso de materiais doados ou cedidos por apoiadores. A expectativa inicial é que o trabalho seja concluído nesta sexta-feira, 20.

 

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