Mais dois PMs do grupo dos ''Ninjas'' são presos

Eles trabalham em batalhões do Guarujá; outros três policiais também estão detidos, acusados de 22 mortes na Baixada Santista

Elvis Pereira, O Estado de S.Paulo

04 de junho de 2010 | 00h00

A Corregedoria da Polícia Militar prendeu ontem mais dois PMs suspeitos de envolvimento na série de homicídios ocorrida no litoral paulista, em abril. Com eles, são oito os presos: outros três PMs e mais três pessoas já foram detidos. A corporação não revelou os nomes nem o local das prisões, sob o argumento de não "atrapalhar as apurações". Os policiais foram levados para São Paulo. A prisão temporária é válida por cinco dias.

Anteontem à noite, a Corregedoria havia prendido três policiais militares acusados de envolvimento nas mortes. Entre os cinco militares presos há três soldados do 21.º Batalhão do Interior - que atuavam nas cidades de Cubatão e Guarujá -, um de Diadema e outro de Santo André, na região do ABC. Eles cumpriam tarefas internas e externas. Segundo um policial, sempre agiram com normalidade. Todos moram na Baixada Santista.

Até segunda-feira, a Corregedoria ouvirá os suspeitos sobre o assassinato de 22 pessoas em Cubatão, Guarujá, Praia Grande, Santos e São Vicente, num intervalo de oito dias. As mortes ocorreram após a execução do PM Paulo Raphael Pires, de 27 anos, da Força Tática, em 18 de abril. A ordem para matá-lo teria partido de um traficante de drogas, incomodado com a atuação do PM.

Dez das vítimas tinham passagens pela polícia. Em parte das ações, os atiradores estavam em motos e utilizaram calibres de uso restrito. Além do envolvimento de policiais militares do grupo de extermínio conhecido como Ninjas, a polícia não descarta o envolvimento de civis, uma vez que os crimes se deram em quatro cidades.

Turismo prejudicado. A matança levou o Consulado dos EUA a recomendar que americanos não visitassem o Guarujá, aviso já suspenso. Desgastado com os problemas no litoral e as mortes de dois motoboys na capital, o coronel Davi Nelson Rosolen deixou o comando da Corregedoria da PM. Assumiu o coronel Admir Gervásio.

"A PM não é conivente com policiais militares. Precisamos tirar os maus policiais de nossas fileiras", defendeu anteontem o major Marcelo Nagy, ao comentar as prisões na Baixada. / COLABOROU LEANDRO CALIXTO

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