Juliana Diógenes/ Estadão
Juliana Diógenes/ Estadão

Mais de duzentas pessoas permanecem em praça no Paiçandu

Para evitar golpes e afastar 'falsos moradores', grupo passou a se identificar com uma fita roxa no pulso 

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 08h06

SÃO PAULO - Moradores desabrigados pela queda do edifício Wilton Paes de Almeida continuam ocupando o Largo do Paiçandu, diante da Igreja Nossa Senhora do Rosário, na manhã desta quinta-feira, 3. O movimento estima que 200 pessoas dormiram no local.

Após a confusão desta quarta, em que roupas e lixo tomaram o Largo e pessoas se apresentaram dizendo ser moradores, o movimento de moradia com os residentes desalojados adotou um sistema de organização: identificam-se com uma fitinha roxa amarrada no braço. Os líderes utilizam também um crachá onde se lê "Ocupação Paissandu - apoio". 

Grades foram colocadas para isolar o grupo que dormiu na porta da Igreja. Nesta quarta, fitas isolantes não deram conta de impedir a passagem de curiosos e pessoas que ocuparam a calçada alegando morar no edifício. As doações foram tantas, que os líderes do movimento passaram a recusar roupas já no fim da manhã. À tarde, uma mesa foi montada com uma montanha de roupas para que qualquer passante pudesse pegar. Lonas chegaram a ser amarradas com cordas a postes junto à parede da Igreja Nossa Senhora do Rosário para servir de teto a quem queria privacidade.

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Esta foi a terceira noite em que os moradores do prédio dormiram no local. Eles se dividiram em grupos para limpar a calçada, que acumulava restos de comida, roupas e lixo na noite desta terça. Barracas de acampamento e colchões estão espalhados no interior das grades.  Algumas famílias com crianças foram passar a madrugada em albergues próximos, mas retornaram ao local nas primeiras horas desta manhã. 

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A manicure Keliane Mendes, de 34 anos, passou mal nesta madrugada.  Ela diz que morava no 3° andar do edifício. "Esta noite foi pior por causa da poeira e da fumaça. Tenho rinite alérgica e sinusite, então fiquei com dificuldade para respirar", diz. Uma fumaça branca ininterrupta nos escombros do edifício toma o Largo do Paiçandu há mais de 48 horas. Focos de incêndio surgem do material durante os trabalhos dos bombeiros. 

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A auxiliar de limpeza Fábia Rodrigues, de 36 anos, conta que busca auxílio na casa de amigos. ""Durante o dia, muitos saem para tomar banho na casa de amigos. Usamos banheiros dos bares próximos. À noite, vamos fazer xixi atrás dos carros", diz. 

Preocupados com a fumaça, líderes do movimento orientam moradores a retirar crianças do local. A estratégia do movimento é manter adultos no local para pressionar os governos por moradia. O grupo se recusa a ir para os albergues oferecidos pela Prefeitura. 

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