'Mais de 9,2 milhões de pessoas já passaram por esse brinquedo'

O advogado criminalista Alberto Zacharias Toron, que defende o Hopi Hari, acredita que a morte de Gabriella Nichimura foi causada por uma manutenção indevida feita no brinquedo pouco antes do acidente.

Entrevista com

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

02 Março 2012 | 03h04

Qual era a situação da cadeira em que estava a adolescente?

Essa cadeira está inabilitada há cerca de dez anos. Nessa época, o parque fez uma verificação e chegou à conclusão de que, se uma pessoa alta se sentasse de forma errada nessa cadeira, ela poderia bater as pernas quando o brinquedo descesse. Por isso, resolveram inabilitar. Ela não tinha nenhum outro problema.

Se ela estava inabilitada havia tanto tempo, por que o parque não colocou nenhum aviso ou isolou esse espaço? Podemos pegar essa pergunta e fazê-la ao contrário: porque nesses dez anos ninguém se sentou nela? Isso aconteceu porque ela tinha um dispositivo, que é aquele colete que serve para segurar as pessoas, que estava travado. Aquilo impedia que qualquer pessoa entrasse na cadeira.

O travamento foi feito para que ninguém sentasse? Sim. E, como ninguém podia entrar por causa da trava, ninguém nunca sentou.

Mas por que Gabriella foi exceção? Aí as coisas ficam um pouco mais nebulosas. O brinquedo teve uma manutenção de quarta-feira para quinta-feira e alguém mexeu na cadeira. Parece que ele destravou inadvertidamente o dispositivo que mantinha o colete travado. Quando os funcionários foram trabalhar no dia seguinte, deveriam ter feito a checagem. Ou alguém não viu que isso estava errado ou, se viu, deveria ter percebido que não tinha condições de uso. Houve um duplo erro: um erro quando se destravou uma cadeira que não era para ser destravada e o outro quando o monitor deveria ter avisado aos seus superiores que a cadeira não tinha condições de uso.

Um dos funcionários afirmou à polícia que avisou um superior, mas ele ignorou. Se ele percebeu, por que não parou o brinquedo? Temos de ouvir o supervisor para ver se é verdade que ele falou. Se isso for verdade, tanto ele quanto o superior estão errados e devem ser responsabilizados. O parque não está isentando as pessoas. Mais de 9,2 milhões de pessoas já passaram por esse brinquedo e ninguém nunca havia se machucado. O parque tem todo interesse de que se descubra quem foi negligente.

Se o assento estava interditado havia dez anos, os funcionários já deveriam saber que não podiam colocar a menina nesse local. É isso que tem de ser investigado. Parece que a família queria sentar junta, então preferiram ficar no mesmo lado. De um jeito ou de outro, era obrigação do monitor verificar se a cadeira tinha condições.

A cadeira também não tinha cinto de segurança? Não. Esse cinto não era bem um equipamento de segurança obrigatório. Era até redundante, desnecessário, o fabricante sugeriu colocar. Como essa cadeira estava inabilitada, não houve necessidade de se instalar esse cinto nela.

A polícia chegou a fazer uma perícia em outro assento, sem ser no que a menina realmente estava. De quem é a culpa disso?

A polícia levou em consideração as declarações que ela coletou no dia, de pessoas estranhas ao parque. Eles ouviram visitantes que estavam lá e eles disseram que ela estava na segunda cadeira da direita para a esquerda. Não foi o parque que informou isso, até porque não temos registro de qual visitante senta em cada assento.

O senhor acha justa a indenização de R$ 2 milhões que a família quer receber do parque? Acho que é devida uma indenização, mas não cuido desse assunto.

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