Mais da metade dos jovens na rua é viciada em crack

A principal mudança no cotidiano atual da população de rua é a presença do crack como droga principal, além de álcool e cigarro, em todas as faixas etárias pesquisadas. Usam crack 27,3% daqueles que vivem nas ruas da capital. Entre os jovens de 18 a 30 anos, esse índice sobe para 53,7%. "Essa foi uma das principais mudanças sentidas pelos coordenadores da pesquisa de campo, que viram um cenário diverso no começo da década", explica a coordenadora da pesquisa, a economista Silvia Schor. "Isso causa uma transformação na maneira de se relacionar e torna a rua ambiente mais atraente."

, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2010 | 00h00

Segundo a pesquisadora, esse é um dos fatores que podem ajudar a compreender a grande concentração de moradores de rua nos distritos centrais. "Uma das hipóteses para a concentração é que nesses bairros estão os traficantes", diz.

Ela não acredita, no entanto, que o crack seja o motivo que leva as pessoas a viver na rua. Mas o uso permanente da droga acaba aumentando o desafio para reestruturar a vida delas e levá-las de volta ao ambiente de convívio familiar.

Conforme dados da pesquisa, as pessoas que vivem nas ruas ganham em média R$ 19,30 por dia por meio de trabalhos e esmola. Daquilo que recebem, 69% gastam com comida, 41,4% com bebida, 33,6% com cigarro e 19,6% com drogas. "O combate ao tráfico de drogas no centro é uma política pública fundamental", defende a pesquisadora.

Outro dado importante é que 52,5% dos que vivem nas ruas passaram antes por internações em outra instituições, como Fundação Casa ? a antiga Febem ? (11,2%), clínica de álcool e droga (25%) e hospital psiquiátrico (8,2%). / B.P.M.

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