Mais comportada e pobre, Parada Gay de SP encolhe

Segundo a polícia, 16ª edição do evento atraiu neste ano menos gente; pela primeira vez, organizadores não divulgaram números

O Estado de S. Paulo,

10 de junho de 2012 | 21h31

 Com menos orçamento, mais comportada e supervigiada, a 16.ª Parada do Orgulho LGBT, realizada ontem na região central da capital, encolheu. Pela primeira vez na história do evento, a organização não divulgou oficialmente o público que compareceu à Avenida Paulista. Para a Polícia Militar e habitués do evento, a festa atraiu muito menos gente que nas edições anteriores.

“Está muito mais pobre, com menos gente, menos carros, menos divulgação”, resumiu a travesti Desire Viana, de 33 anos, analista de sistemas que há oito anos vem de Porto Alegre (RS) para a parada. Neste ano, o orçamento foi de R$ 325 mil - R$ 120 mil a menos que no ano passado. E o número de trios elétricos caiu de 16 para 14.

 

A organização afirmou que medir o público presente não era o mais importante, mas sim transmitir a mensagem do evento. Após a polêmica de 2011, que teve como tema a frase “Amai-vos Uns Aos Outros” e a exibição de cartazes de santos, a organização da Parada neste ano adotou um discurso menos provocativo e mais político. O tema foi “Homofobia Tem Cura: Educação e Criminalização."

Mesmo assim, o presidente da Parada Gay, Fernando Quaresma, garantiu que o evento bateu recorde de público porque, do alto de um dos trios, conseguiu “ver a Rua da Consolação totalmente tomada”. No ano passado, a estimativa oficial foi de 4,5 milhões de pessoas, o que fazia da Parada Gay de São Paulo a maior do mundo. O dia de sol animou muitos participantes, que mais uma vez lançaram mão da criatividade para compor seus figurinos. “Estou achando muito legal, muito divertido”, disse Ronaldo dos Santos, de 22 anos, que foi à parada com o namorado, Marcio Oliveira, de 34.

Quem chegou um pouco mais tarde, porém, já encontrou a Avenida Paulista tranquila por volta das 16h, duas horas após o início do evento. Os trios elétricos já avançavam pela Rua da Consolação rumo ao Largo do Arouche e um batalhão de garis seguia atrás, limpando as vias. Com 70 pessoas da Guarda Civil Metropolitana à paisana e câmeras para ajudar a combater o comércio clandestino de bebidas, camelôs tiveram de abandonar os carrinhos e caixas de isopor e camuflar as mercadorias em pequenas mochilas.

“Houve 100 atendimentos médicos, a maioria por embriaguez. Quatro pessoas tiveram de ser levadas a hospitais”, disse o tenente-coronel Benjamin Francisco Neto, que comandou a PM durante a Parada. No ano passado, a estimativa de atendimentos médicos foi de 500 casos. A PM afirma que foram registrados oito furtos - de celulares e carteiras, além da apreensão de dois punhais. Segundo a corporação, não houve nenhuma ocorrência grave.

Política. De manhã, autoridades manifestaram apoio ao evento LGBT. A senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse acreditar que a sociedade brasileira retrocedeu. “Há 16 anos, tínhamos skinheads matando pessoas homossexuais e, por isso, foi realizada a primeira parada. Hoje a parada terá novamente como tema a homofobia e, mesmo assim, nós não conseguimos votar no Senado Federal a criminalização da homofobia. Isso é muito sério.”

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) foi sucinto em seu discurso, mas demonstrou apoio aos homossexuais e à Parada. “A cada ano, essa festa se aperfeiçoa, se integra, do ponto de vista político e de infraestrutura.” / ARTUR RODRIGUES, CAMILA BRUNELLI e JULIANA DEODOROM

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