Mais 5 policiais de SP devem ser presos hoje, diz corregedor

Quatro policiais, entre eles um delegado, já estão detidos no Presídio da Polícia Civil, em Santana

Andressa Zanandrea, Jornal da Tarde

24 de outubro de 2007 | 09h17

O corregedor-geral em exercício da Polícia Civil de São Paulo, José Maria Coutinho Florenzano, afirmou, na madrugada desta quarta-feira, 24, que espera prender ainda durante o dia cinco policiais civis acusados de roubo, tortura e corrupção envolvendo um traficante. Na noite de terça-feira, o juiz Nelson Benevides, da 3ª Vara Criminal de Campinas, decretou a prisão de nove policiais, entre eles o delegado Pedro Luiz Pórrio, que chefiava a Delegacia Seccional de Osasco. Quatro policiais civis já estão no Presídio da Polícia Civil, em Santana. O delegado Pedro Luiz Pórrio, o agente policial Eduardo Silva Benevides e os investigadores Antônio Caballero Cursi e Francisco Nascelio Pessoa estão detidos no presídio. A polícia espera prender os investigadores Regina dos Santos, Pablo Ricardo Pereira Xavier, Luiz Cláudio de Oliveira e Sandro dos Santos e o agente de telecomunicações Daniel Pereira Dutra. Além da prisão, eles podem ser expulsos da corporação. Os nove policiais eram investigados pelo Grupo de Atuação Especial Regional para a Prevenção e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) de Campinas desde 21 de setembro, quando Pórrio ainda era chefe da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) em Osasco. Os outros policiais também trabalhavam na sub-região, alguns deles na Dise. Eles teriam detido um traficante de Campinas e tomado R$ 35 mil dele para não prendê-lo.  Os promotores descobriram que os policiais exigiram mais dinheiro. Depois torturaram o traficante, a mulher dele e um amigo. Escutas telefônicas gravadas pela Polícia Federal comprovam a prática dos crimes, segundo os magistrados. O corregedor-geral afirma que além da prisão preventiva, os policiais devem passar por apuração disciplinar, com instauração de processo administrativo. Ao término das investigações, eles podem, inclusive, ser expulsos da corporação. "Qualquer crime praticado por policiais surpreende. Um pequeno número acaba enveredando por caminhos que não são adequados. O policial é um guardião da sociedade, não para praticar crimes." Recentemente, Pórrio e Cursi também tiveram seus nomes envolvidos em outro escândalo. Eles, outros dois delegados, três investigadores e um agente são acusados de extorquir US$ 800 mil do traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Segundo Florenzano, apesar de a maneira como a extorsão teria sido feita ser bastante parecida, os dois casos não têm ligação. Ainda não se sabe, no entanto, se há alguma conexão entre o traficante de Campinas e o colombiano, o que será investigado.

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