Mais 26 PMs acusados do Massacre do Carandiru vão a júri

Nesta etapa do julgamento, desmembrado por pavimento, policiais são acusados de 73 das 111 mortes na Casa de Detenção em 1992

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

28 Julho 2013 | 22h00

A segunda etapa do júri do Carandiru começará nesta segunda-feira, dia 29, com 26 policiais militares acusados por 73 das 78 mortes ocorridas no 2º andar da Casa de Detenção – 70% das 111 vítimas do chamado Massacre do Carandiru, em 1992. Mas o único acusado individualmente pelo Ministério Público por 5 das 78 mortes nessa ala ainda não irá ao banco dos réus – o coronel reformado Luiz Nakaharada, que integrava o 3° Batalhão de Choque, aguardará a última etapa do julgamento.

Nakaharada, na época, era o oficial de maior patente, logo após o coronel Ubiratan Guimarães, comandante de toda operação no complexo. O coronel liderou a invasão ao 2.º andar do Pavilhão 9 do Carandiru. Dois oficiais abaixo na linha de comando serão julgados nesta segunda: o capitão Valter Alves Mendonça e o tenente-coronel Salvador Madia, ex-comandante da Rota (2011 a 2012).

Segundo a advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza, a tropa da Rota nesse pavimento era formada por 31 PMs – três deles morreram e um teve processo suspenso, por causa de incidente de insanidade mental. O ex-soldado da Rota Cirineu Carlos Letang Silva ficou conhecido como o “matador de travesti”. 

O júri foi dividido em 5 fases, conforme o pavimento. Um ocorrido em abril, o que começa hoje (dia 29) e mais três etapas: o 3.º e 4.º andares e, por fim, Nakaharada. Ainda deve haver um bloco sobre crimes de lesão corporal grave, mas a defesa crê que os delitos prescreveram. 

Para a promotoria, pesam sobre os acusados do 2.º andar do Carandiru as provas mais robustas de que houve execução sem possibilidade de defesa – como corpos com mais de oito tiros e marcas de projéteis nas vítimas e nas paredes das celas que mostram rajadas de até 300 disparos. Mesmo assim, o resultado dependerá da consciência dos jurados, que pode não ser a mesma dos que condenaram outros 23 PMs em abril. 

O juiz José Augusto Nardy Marzagão ordenou em abril a abertura de um inquérito para apurar por que não foram localizados os projéteis extraídos dos corpos, após a invasão. Na ação, o Instituto de Criminalista (IC) afirma que todo o material foi levado pelo 9.º Distrito Policial. Já a unidade diz que nunca recebeu laudo do IC sobre os projéteis.

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