Mais 2 são mortos pela PM após um assalto na zona sul

Número de casos chega a 10 desde quinta-feira; ainda na noite de anteontem, outro ônibus - o 18º em um mês - foi queimado

FELIPE TAU, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2012 | 03h01

A capital paulista registrou mais duas mortes de suspeitos por policiais militares neste fim de semana, fazendo subir para 10 o número de mortos pela PM em menos de três dias. O caso aconteceu no fim da noite de anteontem, na zona sul, após assalto a um bar. Na zona norte, também na noite de sábado, um ônibus foi queimado por quatro homens - ninguém foi preso.

No assalto, um grupo com quatro integrantes havia recolhido pertences de três clientes e do dono do estabelecimento, na travessa das Avenidas Nhandu e Afonso Mariano Fagundes, na Saúde, quando foi flagrado pelos policiais, por volta das 21h20. Os estudantes Sílvio Luiz Fatorelli, de 18 anos, e A. L. R., de 17, foram atingidos pelos disparos e morreram no pronto-socorro do Hospital São Paulo. Outros dois supostos integrantes da quadrilha, Wellington Gonçalves de Sousa, de 19 anos, e um menor de 17, foram presos.

Com os jovens foram encontrados dois revólveres calibre 32 e um calibre 38, todos com a numeração raspada. Também foram apreendidos documentos, R$ 317 em dinheiro, quatro celulares e três relógios de pulso. O caso foi registrado no 16.º Distrito Policial (Vila Clementino) como roubo, resistência, formação de quadrilha e ato infracional - cometido pelo menor. As investigações serão conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil.

Conforme o Estado revelou anteontem, quase 20% dos homicídios dolosos registrados na Grande São Paulo neste ano foram cometidos por policiais militares - os casos são registrados como "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência.

Em 2001, essa relação era de 3,3% dos homicídios. Neste ano, levando em conta apenas o segundo trimestre (abril a junho), 100 pessoas morreram em supostas trocas de tiros com a Polícia Militar, que informa apurar todas as ocorrências. Os casos de resistência também são investigados, paralelamente, por policiais do DHPP.

Ônibus. No Jaraguá, na zona norte da capital, quatro criminosos queimaram um ônibus a serviço da São Paulo Transporte (SPTrans). O veículo foi interceptado na altura do número 117 da Rua Maria da Cruz Cunha, por volta das 23 horas de sábado.

Depois de pedir para motorista e passageiros descerem, os homens espalharam gasolina e atearam fogo no veículo. A Polícia Militar foi acionada às 23h50, mas os homens fugiram antes da chegada dos primeiros carros de polícia. Ninguém ficou ferido.

O condutor e moradores do bairro conseguiram conter as chamas e impedir que o fogo se alastrasse. Apenas a parte dianteira do coletivo foi danificada. O caso foi registrado no 72.º DP (Vila Penteado).

Trata-se do 18.º coletivo queimado na capital desde 12 de junho, quando teve início a onda de ataques. Bases policiais e agentes também foram atacados. O governo do Estado, no entanto, evita afirmar que as ações são coordenadas por quadrilhas. / COLABOROU BRUNO RIBEIRO

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