Mais 2 pedaços de corpos são achados em área de descarte

Fragmentos foram resgatados em terreno para onde entulho dos antigos prédios está sendo levado na Baixada

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2012 | 03h04

Mais dois pedaços de corpos foram encontrados ontem no depósito em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para onde estão sendo levados destroços do desabamento de três prédios na Avenida Treze de Maio, no Rio. Com eles, chega a dez, segundo bombeiros, o número de fragmentos achados no local.

A Associação das Vítimas da Treze de Maio disse que houve pressa da prefeitura do Rio em limpar o local. "Deveriam ter feito uma busca minuciosa para permitir que as pessoas encontrassem seus entes queridos em melhor estado. Houve preocupação em tirar os escombros do olhar dos curiosos e, principalmente, da vista dos turistas", afirmou a advogada da entidade, Simone Argolo Andrews.

Os restos de corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal. Em caso de impossibilidade de identificação por impressão digital ou arcada dentária, fragmentos de ossos e dentes serão submetidos a exames de DNA.

Com a identificação de Daniel de Souza Jorge Amaral, de 26 anos, e Miriene Lopes dos Santos, de 66, agora já são 15 corpos reconhecidos, entre os 17 resgatados nos escombros. Cinco vítimas ainda estão desaparecidas.

Apuração. A investigação da Polícia Civil do Rio sobre a causa do desabamento está concentrada na obra que a empresa Tecnologia Organizacional (TO) fazia no 9.º andar do Edifício Liberdade, que tinha 20 andares. Testemunhas contaram que os operários realizavam intenso transporte de sacos com restos de obras no dia do acidente. Um empresário ouviu um estrondo meia hora antes do colapso.

Sócio da firma de traduções Primacy Translations, Victor Nogueira afirmou em depoimento que uma reunião foi interrompida em seu escritório por um barulho parecido ao som do impacto de uma máquina pesada, por volta das 19h30. A empresa funcionava no 8.º andar.

Imagens exibidas pela Rede Record mostram a obra da TO uma semana antes do desmoronamento. Paredes e teto estão arrebentados. Vários sacos de entulho podem ser vistos nas imagens. Sócios da empresa garantiram que o entulho foi retirado antes do desabamento.

Ontem, após o enterro do analista de sistemas da TO Daniel de Souza Jorge Amaral, de 26 anos, sua irmã, Danielle, de 33, contou que o irmão reclamava de pequenos pedaços de reboco que caíam do teto e dos estalos que ouvia. Também ontem, antes de cerimônia religiosa na Câmara dos Vereadores, Vera Lúcia Guitahy, mãe de Bruno, de 25 anos, emocionou-se ao falar da esperança de ver o filho vivo. "Meu sentimento de mãe acredita que há possibilidade de encontrá-lo com vida. Ele pode estar vivo em algum local com ventilação", afirmou Vera, que passou mal e teve de ser levada ao hospital.

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