Mais 2 funcionários da CPTM são mortos por trem

Eles foram atropelados quando faziam vistoria nos trilhos; no domingo, 3 pessoas morreram da mesma forma no Belém

CRISTIANE BOMFIM, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2011 | 03h00

Dois funcionários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) foram atropelados e mortos por um trem enquanto realizavam vistoria nos trilhos entre as Estações Antônio João e Barueri, na linha 8-Diamante, na Região Metropolitana de São Paulo.

O acidente aconteceu às 10h30 e é o segundo em menos de uma semana. No domingo, três pessoas morreram na região do Belém, enquanto caminhavam pela linha férrea, próximo da Estação Tatuapé.

Antônio Camilo Severino, de 63 anos, e Edgar Antônio Dalbo, de 55, inspecionavam os trilhos de uma das vias, onde as composições circulam no sentido da Estação Barueri, quando foram surpreendidos por um trem que vinha na contramão.

A composição saiu da parada Antônio João com passageiros, no sentido Itapevi. Ao chegar na parada seguinte, o maquinista foi informado de que o trem seria recolhido e os passageiros desceram dos vagões. O trem voltou pela mesma via e depois de uma curva, na altura do km 26 da linha, atingiu os trabalhadores, que estavam de costas.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, Éverson Craveiro, houve falha na comunicação dos trabalhadores sobre a chegada do trem e descumprimento das normas de segurança.

"A primeira falha é que o trem não deveria voltar no sentido contrário da via, sabendo que havia funcionários trabalhando. Eles estavam de frente para o sentido em que as composições normalmente chegam. Também deveria ter outras duas pessoas no local para garantir a segurança. Uma do lado esquerdo e outra do lado direito, com apitos e bandeiras de sinalização para orientar o maquinista e os funcionários", disse Craveiro.

O gerente-geral de manutenção da CPTM, Evaldo José dos Reis Ferreira, afirma que os funcionários não deveriam estar sobre os trilhos. "Eles estavam fazendo inspeção ao longo da via em um acesso que classificamos como não restrito. Para o trabalho, eles devem caminhar ao lado da via, fazendo uma inspeção visual, anotando os possíveis problemas para depois uma equipe de manutenção realizar o serviço", explica.

O gerente-geral de manutenção da CPTM disse ainda que Antônio Camilo e Severino passaram por curso de reciclagem em manutenção nas vias em outubro e eram capacitados para saber "que os trens podem vir em qualquer sentido". E a central de manutenção sabia da presença deles no trecho, que tem cerca de 2 km de extensão.

Funcionários da CPTM afirmam que há tempos a empresa não investe em segurança e temem novos acidentes. "Eles vão sempre culpar quem já morreu, mas nós sabemos que a prioridade não é a segurança. Eles querem trem circulando."

Pela TV. O sobrinho de Antônio Camilo, Fernando Oliveira, de 44 anos, reclama que a família ficou sabendo do acidente pela televisão e até o início da tarde não tinham sido procurados pela empresa. "Minha tia está em choque até agora", ressalta. A família de Edgar não quis falar. O caso foi registrado no 1.º DP de Barueri.

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