Débora Klempous
Débora Klempous

Maioria dos shoppings vence 'teste do trocador'

Reportagem encontrou boas opções no que se convencionou chamar de Espaço Família

Edison Veiga, O Estado de S. Paulo

03 Maio 2014 | 17h08

As facilidades vendidas “sob o pacote shopping center” se tornam muito mais atrativas quando se experimenta a paternidade (ou a maternidade). Com bebê de poucos meses, pontos a que antes o cidadão nem dava tanto valor, assim como “estacionar já dentro do local, sem precisar tomar chuva ou vento”, fazem todo sentido. Para colaborar com esse espírito, virou praxe esses estabelecimentos oferecerem um rol de mimos às pessoas nessa situação – geralmente batizado pelos marqueteiros como “Espaço Família”.

Conceito apresentado, a reportagem foi às ruas – ou melhor, aos shoppings paulistanos. Nos últimos dois meses, em dias esporádicos e, em alguns casos, visitando o mesmo estabelecimento mais de uma vez, o Estado testou os serviços de dez dos principais shoppings da cidade: JK Iguatemi, Iguatemi, Cidade Jardim, Villa-Lobos, Vila Olímpia, Eldorado, Morumbi, Pátio Paulista, Center Norte e Leste Aricanduva.

Reprovados, reprovados mesmo, somente o Morumbi e o Leste Aricanduva. Quando a reportagem esteve no primeiro, na manhã do dia 3 de abril, foi logo surpreendida pela informação de que o shopping, ao contrário da maioria, não oferece carrinho de bebê como cortesia. E o trocador era um espaço improvisado no banheiro feminino – ou seja, um pai desacompanhado da mulher não teria como trocar as fraldas do filho. Não havia sala de amamentação; para quebrar o galho, estava disponível uma cadeira para isso também dentro do banheiro feminino.

Já no Leste Aricanduva, visitado em 21 de abril, as agruras começaram no empréstimo do carrinho. Foi o único estabelecimento em que a reportagem pegou fila – no caso, 11 minutos e 48 segundos. Depois, a surpresa com as regras: ali, o empréstimo não é para o dia todo – precisa ser “renovado” a cada 3 horas. De quebra, o carrinho estava sujo: aparentemente, tinha restos de comida no cinto.

Na hora do pit stop para troca de fraldas e amamentação, mais duas desagradáveis surpresas. A primeira: os trocadores não estavam cobertos com forro de proteção descartável no momento em que se utilizava o serviço (por volta das 15h40), mesmo com pelo menos três bebês sendo trocados àquela hora. A segunda: o micro-ondas fica dentro da sala de amamentação, onde, é claro, o acesso é restrito a mulheres.

Reparos. Os demais todos passaram no teste, alguns com poucos reparos. No Vila Olímpia, o Espaço Família – ao menos no dia 23 de março, quando a reportagem lá esteve – era dominado por uma intermitente música infantil em alto volume, capaz de assustar os bebês mais sonolentos. No Center Norte, a ressalva está na localização. O recinto fica em área externa.

Falando em sala de amamentação, cada shopping resolve a questão de um jeito. A maioria cria um espaço, ao lado dos trocadores, com uma divisória de alvenaria ou de vidro – com cortinas. No caso do Villa-Lobos, a cortina que garantiria essa privacidade estava faltando em uma das laterais. O Pátio Paulista, assim como o Leste Aricanduva, também deixa o micro-ondas dentro da sala de amamentação – criando um certo constrangimento a um pai.

Comodidades. A retirada e a entrega do carrinho, em geral, são feitas nos tais Espaços Família. A reportagem não havia sentido nenhum incômodo até se deparar com a comodidade dada pelo JK Iguatemi. Logo na entrada do shopping, diante da costumeira pergunta – “em que andar fica o Espaço Família?” –, a resposta do concierge foi: “Os senhores desejam um carrinho? Pois aguardem que eu trarei em um minuto”. E pronto.

Nos trocadores, é comum que os shoppings ofereçam fraldas aos esquecidos ou desprevenidos. Pomada anti-assaduras, lencinhos umedecidos, cotonetes e algodão nem sempre ficavam à vista. Na estrutura básica do Espaço Família, todos – com exceção do Morumbi – ofereciam um micro-ondas e um bebedouro d’água.

Mas se estamos falando em comodidades, os melhores dentre os visitados são Iguatemi e JK Iguatemi. Esqueça a ideia de trocadores coletivos, um ao lado do outro. Esqueça a preocupação com a intimidade na sala de amamentação. Nesses dois shoppings, há pequenas salinhas individuais. Entrou, fechou a porta e lá dentro há um trocador e uma poltrona de amamentação – no caso do JK, ao menos no dia da visita, ainda havia uma garrafinha de água mineral já no braço da poltrona, prontinha para a mamãe tomar enquanto amamenta.

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