Maioria dos poluentes não chega aos frutos, dizem especialistas

Médicos alertam, no entanto, que solo das lavouras nas margens de rios poluídos têm de ser constantemente medido

O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2013 | 02h01

O primeiro temor que se pode ter com o consumo de alimentos plantados nas margens do Rio Tietê é que eles sejam contaminados de alguma forma pelos poluentes que são transportados por suas águas. Segundo especialistas, essa contaminação pode sim existir, mas a maior parte dos poluentes acaba não chegando aos alimentos.

Segundo Paulo Saldiva, professor de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), o essencial é fazer uma medição para verificar a quantidade de metais pesados e substâncias tóxicas nas plantas. "Isso não quer dizer que esse lugar seja impróprio para plantar, basta uma medição", diz o professor.

Para Anthony Wong, médico responsável pelo Centro de Controle de Intoxicações da Faculdade de Medicina da USP, o risco de contaminação é eventual. "Na prática, a grande maioria dos poluentes não consegue chegar na polpa dos alimentos. Tóxicos e metais do solo podem ser absorvidos pelas raízes, mas nem todas as substâncias chegam ao fruto que será consumido." Wong recorda o caso do Córrego Água Espraiada, na zona sul, que, no início do século, era usado como sede de abastecimento da capital, que utilizava água contaminada do rio.

Animais. Já o professor Saldiva lembra que os produtos de animais que comem alimentos contaminados também estão sujeitos à contaminação, como ovos e leite. Ainda de acordo com Saldiva, em muitas estações de tratamento de água, o esgoto domiciliar é transformado em adubo para plantas. "Sabemos que grande parte do que é retirado do rio atualmente é esgoto domiciliar", explica.

Ainda segundo Saldiva, a atuação dos "fazendeiros do Tietê" poderia render, além dos diversos frutos, uma solução para o rio. "Seria uma alternativa legal, basta saber se é saudável ou não. E isso pode ser resolvido de forma simples com a medição", reforça. / JULIANA DEODORO

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