Maioria dos passageiros só consegue chegar ao aeroporto de carro particular

A maioria das pessoas que andam de avião no País chega ao aeroporto de carro particular - e mesmo entre os que optam pelo transporte público, dois em cada três vão de táxi.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

27 Maio 2013 | 02h02

Os dados são da pesquisa feita pela Secretaria de Aviação Civil (SAC) nos três primeiros meses do ano com 21,2 mil passageiros dos 15 maiores aeroportos brasileiros e mostram o que o passageiro sente na pele: o suplício que é chegar a esses terminais e sair deles.

Além de Guarulhos e Congonhas, em São Paulo, foram avaliados Viracopos, em Campinas, Galeão e Santos Dumont, no Rio, Confins, em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Natal, Salvador, Brasília, Manaus, Cuiabá, Porto Alegre e Curitiba. As opções de transporte coletivo para a maioria desses aeroportos são escassas - os únicos que têm metrô relativamente perto são Recife (cuja malha é limitada e não atende bem a cidade) e Santos Dumont (a estação fica a mais de 1 km).

Para os outros, restam o carro e os ônibus executivos - sujeitos ao trânsito do caminho, ao contrário do transporte metroferroviário, que é mais confiável e regular no quesito tempo.

"Não dá para chegar ao aeroporto e ir direto para um compromisso porque você nunca sabe como vai estar o trânsito em São Paulo", diz o economista Geraldo Luís Ferraz, de 51 anos, que mora no Rio e vem à capital paulista a trabalho duas vezes por mês. Como a maioria, Ferraz é dependente do táxi para ir a Congonhas ou sair de lá, na zona sul. "Prefiro chegar um dia antes e ficar em um hotel perto do local da reunião."

A pesquisa da SAC mostra que 52% dos passageiros usam carro privado para chegar ao aeroporto, 38%, transporte coletivo e 10% dos entrevistados estavam em conexão. Quando questionados sobre o transporte público que utilizaram até o terminal, 66,83% revelaram ter ido de táxi e 25,35% de ônibus. O restante usa carro alugado e uma minoria vai de metrô. O levantamento da SAC é referente ao primeiro trimestre - outros serão feitos ao longo do ano.

"Você paga caríssimo no táxi para Cumbica, mais de R$ 100, e ainda assim está sujeito a passar duas horas preso na Marginal", diz o administrador de empresas Manoel Leite de Oliveira, que mora na Vila Mariana, zona sul da capital.

Para Cumbica, o governo promete a Linha 13-Jade da CPTM para 2014 - mas só depois da Copa. Em Congonhas, também para o fim do ano que vem, está prometida uma estação do monotrilho da Linha 17-Ouro.

Nos trilhos. Para o engenheiro aeronáutico e professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) Jorge Leal Medeiros, um acesso por trilhos aos aeroportos daria mais segurança para o passageiro. "É algo confiável. Em Londres, você pega um metrô e leva 1h15 para chegar a Heathrow. É demorado, mas você sabe que vai chegar exatamente naquele tempo, é só se programar. Em São Paulo, você pode levar 40 minutos ou três horas para chegar ao aeroporto", diz.

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