Maior usuário de hotéis da capital vem da Grande SP

Para quem participa de eventos de negócios, que costumam durar três dias, compensa ficar perto do local do compromisso

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h03

A maioria dos hóspedes nos hotéis de São Paulo não é formada por turistas do Sul, Nordeste ou de fora do País. Tampouco por quem vem do interior e enfrenta horas de estrada. Quem mais usa a infraestrutura hoteleira da capital paulista são os vizinhos da Grande São Paulo e o próprio paulistano, segundo dados da São Paulo Turismo (SPTuris). A pesquisa refere-se ao primeiro semestre de 2012 e foi feita em 44 hotéis e 18 albergues.

De acordo com Toni Sando, presidente executivo da São Paulo Convention and Visitors Bureau, os eventos e feiras de negócios em São Paulo duram em média três dias e vale a pena até para quem é de uma cidade próxima ficar perto ou mesmo no lugar onde terá compromisso durante os próximos dias. "Muitas empresas até pagam essa despesa para o funcionário porque sabem que o bate-volta não é viável", explica.

É o que faz o coordenador de vendas Rafael Souto, de 42 anos, morador de Barueri. "Só o gasto com táxi ou gasolina já compensa ficar em hotel por uma ou duas noites. Se for contar o tempo no engarrafamento, aí não tem nem o que discutir."

As reuniões de negócios (43,8%) e eventos ou feiras (27,1%) ainda são os motivos que mais levam as pessoas para São Paulo. A estada desses visitantes na cidade, geralmente, acontece entre terça e quinta-feira, enquanto os que vêm a lazer (14,3%) ficam de sexta-feira a domingo. Houve um crescimento do número de turistas que procuram São Paulo para se divertir e passear - no mesmo período do ano passado, representavam 12,5%.

Apesar dos esforços da Prefeitura estarem concentrados em fazer os visitantes - principalmente os de negócios - ficarem mais tempo na capital, a quantidade média de pernoites por turista caiu: de 3,1 no primeiro semestre de 2011 para 2,7 entre janeiro e junho deste ano.

Quando questionados, tanto brasileiros quanto estrangeiros afirmam que a falta de tempo é o principal motivo para que não programem uma estada mais longa na capital. A falta de interesse pelas atrações e os preços altos de São Paulo também afastam os turistas.

A pesquisa da SPTuris mostra ainda que os turistas apontam a vida noturna (24,1%) e compras (20,7%) como os principais motivos que os fazem ficar mais na cidade. "São Paulo não deve abrir mão da vocação para o turismo de negócios", diz Andrea Nakane, coordenadora do curso de Turismo da Anhembi Morumbi. "Mas, infelizmente, há um gargalo de infraestrutura para receber essas pessoas."

Para o diretor de Ações Estratégicas da SPTuris, Luiz Sales, é natural que o turista venha das cidades mais próximas. "O turismo em geral se comporta de maneira concêntrica, A França, por exemplo, recebe milhares de turistas, a maioria de países próximos dentro da Europa. Neste ano, o morador de São Paulo apareceu como hóspede em potencial. É aquela pessoa que vai assistir a um show e não quer dirigir de volta para casa, é o morador que se hospeda em hotel por lazer", afirma.

Sobre o fato de os turistas estarem passando menos tempo na capital, Sales diz que "eles ficam menos, mas estão gastando mais". "Pode significar que as pessoas estejam otimizando a permanência em São Paulo."

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