Ayrton Vignola/AE-5/3/2011
Ayrton Vignola/AE-5/3/2011

Maior parte dos latrocínios ocorre perto da casa

Em 57% dos casos desse tipo de crime registrados no 1º trimestre, vítima foi alvo de bandidos a menos de 3 km de sua residência

Plínio Delphino, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2011 | 00h00

Em São Paulo, grande parte das vítimas de latrocínio é assassinada em um raio de 1.500 metros de casa. É o que se observa ao analisar 19 dos 25 boletins de ocorrência de roubos seguidos de morte registrados na capital paulista no primeiro trimestre deste ano.

A reportagem constatou que 42% das vítimas foram baleadas perto de suas residências. Para especialistas, um dos motivos é a perda de atenção da vítima quando se encontra perto de casa. "Sem perceber, o cidadão já projeta o pensamento em sua residência e tem uma sensação de relaxamento, de estar protegido em casa. Verificou-se que o mesmo acontece com acidentes de trânsito", disse o coronel José Vicente da Silva, especialista em Segurança Pública. O número de latrocínios a até 3 quilômetros de distância das casas das vítimas corresponde a 57,89% do total.

Oficialmente, a Secretaria de Segurança Pública registra 22 latrocínios na capital. Para o governo, houve redução de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. A reportagem, porém, levantou 25 casos de latrocínio no mesmo período e, portanto, nenhuma redução nesse tipo de crime.

O problema ocorreu, em alguns casos, porque houve só notificação de "roubo" - e não de latrocínio. Procurado, o delegado-geral, Marcos Carneiro, disse que casos que apresentem fatos novos devem ser corrigidos no mapeamento. "Agora que as divulgações de índices serão mensais, a atualização será mais dinâmica."

Analisando os boletins, observa-se que todas as pessoas assassinadas em tentativas fracassadas de roubo foram baleadas. Apenas duas vítimas eram mulheres: Isabel Maria Lopes, de 51 anos, morta em uma tentativa de roubo de carro na região do Morumbi, zona sul, e Anísia Ravagnani, de 72 anos, assassinada dentro de casa por ladrões.

Casos. Segundo os vizinhos de Anísia, ela e o marido, Pedro Rossatti, de 72 anos, costumavam acordar cedo e lavar o quintal e a calçada. Em 11 de março, às 8h30, um Gol parou na frente da casa. Dois bandidos anunciaram o assalto ao marido, invadiram a residência e assustaram Anísia. A dona de casa gritou e levou um tiro.

Já o estudante de Letras e projetista Carlos Eduardo de Sousa Garcia, de 24 anos, tentou evitar que bandidos entrassem em sua casa. Até conseguiu dissuadi-los em um primeiro momento. Mas, depois de bater o portão para se livrar do grupo de criminosos, viu-se encurralado por um dos bandidos, de 17 anos, que voltou para matá-lo.

Cadu, como era conhecido, aprendeu alemão sozinho, estudava violino e trabalhava em projetos de ar-condicionado com o pai. Seu assassinato não entrou para as estatísticas de latrocínio.

A morte do estudante da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Nicholas Marins do Prado, de 20 anos, na Vila Mariana, também não faz parte dos latrocínios divulgados. Um ladrão atirou em sua cabeça para roubar seu carro. O caso foi registrado como roubo. O comerciante José Arteiro Morais, de 43 anos, assassinado durante assalto em sua pizzaria, foi o outro caso deixado de fora da lista oficial e encontrado pela análise da reportagem.

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