Maior festival de rock pesado vira megafiasco

Sem pagamento, bandas nacionais e internacionais deixam de comparecer; parque em São Luís cheira a estábulo e público enfrenta falta de água e luz

MARCELO MOREIRA, O Estado de S.Paulo

22 Abril 2012 | 03h05

Filas enormes, espectadores acampados em estábulos malcheirosos, falta de energia elétrica e água e cancelamentos de última hora de 11 das 46 atrações. Esse era o desastroso saldo do Metal Open Air, minutos antes de o festival ter início anteontem em São Luís (MA). O que era para ser o maior festival de rock pesado da história do Brasil e da América do Sul se transformou em um dos maiores fiascos na área de entretenimento de que se tem notícia.

Tudo começou a dar errado há 11 dias, quando a banda santista Shadowside anunciou que havia desistido de tocar no evento. Na época, os integrantes justificaram apenas que houve problemas em relação ao horário agendado, para o dia 21 (ontem), pela manhã. "Não teríamos como chegar a tempo, o voo só aterrissaria em São Luís no meio da tarde", declarou a vocalista Dani Nolden.

Com a explosão de problemas relacionados ao festival, na quarta-feira a cantora resolveu falar abertamente sobre os outros motivos para abandonar o festival. "Tentamos amenizar o discurso porque pensávamos que só nós estávamos passando por aquilo tudo: sem contrato, sem pagamento antecipado, sem passagens para São Luís. Quando vimos que outras bandas sofreram a mesma coisa, não deu mais para ficar calada. Dificilmente teremos outro festival desse porte no País, falta credibilidade", disse Dani.

A crise estourou de vez dois dias antes do início do festival, programado para começar anteontem. A banda gaúcha Hangar anunciou a desistência e denunciou pelo Facebook que não tinha recebido o cachê prometido e as passagens para o deslocamento de São Paulo a São Luís - e sem receber justificativa dos organizadores.

Ao mesmo tempo, o Corpo de Bombeiros do Maranhão e o Procon local vistoriaram o local - o enorme Parque Independência - e constaram falhas estruturais na construção de banheiros, dos palcos e no estabelecimento de áreas de dispersão do público, estimado em 240 mil pessoas para três dias de shows. Já o Escritório Central de Arrecadação de Direitos Autorais (Ecad) tentava, sem sucesso, suspender na Justiça o evento por falta de pagamento de taxas.

Sem nenhuma informação ou orientação, o público começou a se acumular um dia antes do festival na porta do parque - eram os espectadores que tinham comprado os pacotes para acampar dentro do local do evento, nos moldes dos festivais europeus. Só tiveram acesso ao local horas depois do programado e encontraram uma péssima surpresa: não havia energia elétrica, água encanada, banheiros e o pior, a área de camping estava localizada dentro de um estábulo, com forte cheiro de esterco de cavalo - o Parque Independência é usado com frequência para feiras agropecuárias.

Internacionais. Os problemas estavam longe de acabar. As bandas inglesas Saxon e Venom, que estavam entre as cinco principais atrações, anunciaram horas antes do início do festival que não viriam mais ao Brasil. Alegam "falta de pagamento de cachê, falta de contrato e problemas com a documentação para visto de entrada e trabalho".

Outras sete bandas brasileiras desistiram no mesmo dia com as mesmas alegações, enquanto outras, como os Ratos de Porão, ameaçavam não embarcar sem garantias. Na sexta, a primeira banda a conseguir subir ao palco e tocar foi a canadense Exciter, com cinco horas de atraso.

Os organizadores, Felipe Negri (Negri Concerts) e Natanael Júnior (Lamparina Produções), só vieram a público na noite de sexta-feira. Em declarações a jornais e TVs de São Luís, culparam o governo do Estado do Maranhão pelo corte das verbas prometidas e pela falta de infraestrutura do local.

Enquanto isso, fiscais do Procon percorriam o parque, recolhendo depoimentos de espectadores para investigar denúncias de propaganda enganosa. Alguns tiveram de ouvir dos roqueiros que "isso é só uma prévia do que vai ocorrer na Copa 2014".

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