ROBSON VENTURA/ESTADAO
ROBSON VENTURA/ESTADAO

Maior Campeã, Vai-Vai deixa a elite do carnaval de SP, após 90 anos

Sequência de piores desfiles da história deve acirrar disputa interna; diferença de 2 quesitos poderá até levá-la ao vice

Leonardo Zvarick, Juliana Diógenes e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 22h38

SÃO PAULO - “Agradecemos por todos nossos integrantes e convidados pelo lindo Carnaval apresentado na Avenida, com grandes chances de trazer para o Bixiga a décima sexta estrela.” Era o post oficial da Vai-Vai após o desfile. O rebaixamento da escola mais vencedora da história de São Paulo, com 15 títulos, surpreendeu e promete acirrar uma disputa interna na agremiação.

O atual presidente, Neguitão, saiu do sambódromo sem falar com ninguém. O presidente de honra, o histórico Thobias da Vai-Vai, nem desfilou – está brigado com a diretoria. Ele puxou o último samba da agremiação no ano passado – e amargou um décimo lugar, que já era o pior resultado desde o primeiro desfile em 1930. Ontem, a quadra permaneceu fechada após o primeiro rebaixamento da história, com poucas barracas â frente – até esperando uma possível 16.ª festa – e ninguém falando pela diretoria. Envergonhados, os diretores não atenderam telefonemas nem de pessoas da comunidade. 

Representante do Resistência Vai-Vai, Luiz Cabral explica que há quatro anos um grupo luta por maior transparência. “É claro que o rebaixamento é muito triste e inesperado, mas com isso o movimento deve crescer ainda mais”, diz o integrante da bateria – que teve todas as notas 10. 

Ao se observar a apuração, os principais problemas no desfile sobre O Quilombo do Futuro, que inclui a lembrança da morte de Marielle Franco, apareceram nos quesitos Comissão de Frente – 9,8, 9,8, 9,7 e 9,7 – e Alegoria – 9,9, 9,9, 9,8 e 9,8. Com a mudança nos critérios, estabelecendo notas só entre 9 e 10 e o descarte da mínima, a diferença entre as agremiações diminuiu. Assim, esse 1,1 ponto perdido é a diferença entre o último lugar e o vice da Dragões.

Só alegria. Nas ruas do Bexiga, o clima não era de tristeza. “A gente sabe ganhar e perder”, disse a componente Suely Santos. “Carnaval é época de alegria, não tristeza. A Vai-Vai é isso e nada nos atingiu”, completou Niva Pagliarini, com a camiseta da Velha Guarda. 

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