Máfia israelense no Brasil: 13 presos

Segundo PF, líder do grupo seria ligado à organização criminosa Família Albergil

PEDRO DANTAS / RIO, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h04

Operação da Polícia Federal em 15 Estados prendeu ontem 13 pessoas de uma quadrilha de contrabandistas liderada pelo israelense Yoram El Al, de 40 anos. Segundo a PF, ele seria ligado à organização criminosa israelense Família Abergil e também explorar máquinas caça-níqueis no Brasil.

Mais de R$ 50 milhões em carros importados, pedras preciosas e dinheiro foram apreendidos por ordem de 119 mandados. Dez pessoas foram presas no Rio, incluindo três policiais militares, e três no Espírito Santo. Duas concessionárias foram fechadas no Rio e em São Paulo, onde 20 carros foram apreendidos. Participaram da operação 150 servidores da Receita Federal e 500 agentes federais.

Apontado como o maior traficante de ecstasy de Israel, El Al consta no site do Drug Enforcement Administration (Departamento Antidrogas Americano) como um dos criminosos mais procurados do mundo. Mas vivia legalmente no País, onde tem um filho brasileiro.

O israelense chegou a ser preso em 2006, mas o pedido de extradição feito pelos Estados Unidos foi negado pelo Supremo Tribunal Federal no ano seguinte. Investigações sobre suas atividades no País começaram há dois anos. Mesmo sem trabalho formal, El Al circulava em carros importados e morava em condomínio de luxo na Barra da Tijuca, onde foi preso. "Foi operação difícil pelo alto poder aquisitivo de envolvidos, a grande quantidade de bens apreendidos e a atuação em vários Estados", disse o superintendente da PF no Rio, Valmir Lemos.

Parte do grupo criminoso atuava no contrabando de carros de luxo dos Estados Unidos. Segundo a Receita, eles importaram ilegalmente nos últimos dois anos pelo menos 102 veículos, de valor estimado em R$ 30 milhões.

Notas fiscais apresentadas na alfândega do Brasil tinham valor inferior ao real. "Em geral, havia subfaturamento médio de 25% no preço dos carros", afirmou o superintendente adjunto da Receita, Marcus Vinicius Vidal Pontes. Ele estima que quatro importadoras e três concessionárias sonegaram até R$ 25 milhões.

Segundo a PF, além de contrabando de carros, o israelense estava associado ao bicheiro José Caruzzo Scafura, o Piruinha, e seu filho, Haylton Escafura, na exploração de caça-níqueis e contrabando de pedra preciosa. Os dois estão foragidos. Outro israelense Meir Zloff, braço direito de El Al, também foi preso.

A PF ainda tenta cumprir nove mandados de prisão. Além da capital paulista, a quadrilha atuava em Campinas, Piracicaba, Ribeirão Preto, Araraquara, Bauru e Sorocaba. "O êxito da operação mostrou que o Brasil está comprometido a combater esse crime. Antes, as máfias chegavam aqui atraídas pela impunidade. Hoje temos ferramentas mais eficazes para combatê-las", disse o promotor de Justiça Arthur Lemos Pinto Júnior, do Ministério Público Estadual de São Paulo./ COLABOROU BRUNO BOGHOSSIAN

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.