Máfia do ISS ‘está desbaratada dentro do Executivo’, diz Haddad

Máfia do ISS ‘está desbaratada dentro do Executivo’, diz Haddad

O 'Estado' revelou que vereadores Adilson Amadeu e Aurélio Miguel foram citados em depoimento ao MP como recebedores de R$ 5 mi

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

02 Fevereiro 2016 | 17h14

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta terça-feira, 2, que os funcionários municipais envolvidos no esquema de cobrança de propina conhecido como Máfia do Imposto Sobre Serviço (ISS) foram afastados ou demitidos desde o início das investigações - em 2013 - e que, portanto, não atuam mais no Poder Executivo.

“Demitimos a Máfia do ISS, algumas dúzias de profissionais, que estavam envolvidos. Então, acredito que a quadrilha está desbaratada da máquina pública, dentro do Executivo. Obviamente que surpresas sempre podem surgir”, afirmou o prefeito. Até o momento, segundo a Controladoria Geral do Município (CGM), o processo resultou na demissão de 16 funcionários, que tiveram os bens bloqueados.

Pelo número de sindicâncias, a expectativa da Prefeitura é que o total ultrapasse 30 demissões.  Mais de 900 empresas também estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual (MPE).O esquema deflagrado causou um prejuízo de mais de R$ 500 milhões aos cofres municipais.

O Estado revelou nesta terça que os vereadores Adilson Amadeu (PTB) e Aurélio Miguel (PR) foram citados em um depoimento ao MPE como recebedores de R$ 5 milhões pagos pelo ex-subsecretário de Arrecadação de São Paulo, Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como chefe de um esquema de cobranças de propina durante a gestão Gilberto Kassab (PSD). As informações foram relatadas pelo fiscal Eduardo Horle Barcellos, que fez parte do esquema, em delação aos promotores do Grupo Especial de Delitos Econômicos (Gedec) do MPE.

Haddad elogiou o trabalho da CGM e lembrou que, em 2013, o início do desbaratamento dessa quadrilha partiu do órgão. “Agora com o concurso, vamos receber um reforço de 100 profissionais que vão trabalhar internamente para combater a corrupção”, afirmou. “Vamos dar todos os subsídios necessários para a punição aos responsáveis desde que hajam prova conclusivas contra as pessoas, sejam elas quem forem”.

Máfia. Em 2013, investigações conduzidas pela Controladoria em parceria com o MPE constataram que, desde 2005, auditores fiscais cobravam propinas de empresas do setor imobiliário e ofereciam, em troca, o recolhimento de valores menores de ISS/Habite-se.

Após a identificação do esquema, a Corregedoria Geral do Município, que é um órgão da Controladoria, instaurou uma sindicância para apurar as irregularidades.

 

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