Reprodução Google Street View
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Mães se revezam em rondas para evitar assaltos em escolas de Sorocaba

Foram registrados 147 casos de furtos e vandalismos em escolas municipais, de janeiro a agosto, com prejuízo de R$ 1,1 milhão

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 15h07

SOROCABA - Toda manhã de dia letivo a dona de casa Cinthia Vaturro deixa seu filho no Centro de Educação Infantil Professora Beatriz de Moraes Leite Fogaça, no centro de Sorocaba, interior de São Paulo, mas não retorna de imediato para seu lar. 

Durante cerca de uma hora, ela fica nos arredores da escola observando as crianças no playground e de olho nas pessoas que se encontram nas imediações. Cinthia só deixa seu posto depois da chegada de outras mães que assumem a vigilância.

Ela faz parte de um grupo de pais que decidiu assumir a vigilância informal de escolas municipais em que seus filhos estudam depois de uma sequência de furtos e roubos praticados até durante o dia, com as crianças presentes na aula. 

"O muro é baixo, eles pulam com facilidade. Num dos assaltos, eles arrombaram a porta da escola e entraram em todas as salas, roubando os televisores. A outra vez foi de dia, com as crianças na escola. Eles roubaram a bolsa com o dinheiro da contribuição dos pais", contou.

O grupo se comunica através do aplicativo Whatsapp. A escola, que tem 250 alunos de até cinco anos, fica próxima de um viaduto e as mães usam a passagem de pedestres como posto de observação. 

"Do alto, dá para observar o movimento e, se a gente vê algo suspeito, liga na hora para a polícia", conta Juliana Machado, também mãe de aluno e integrante do grupo. Segundo ela, desde que a ronda começou, há dois meses, a Polícia Militar foi acionada ao menos duas vezes. 

"Propusemos nos cotizar para instalar concertina (cerca farpada) no muro e câmeras, mas foi dito que não pode por ser prédio público."

O advogado Bruno Silvestre Lopes, pai de um aluno de três anos, disse que o grupo pretende mobilizar o Ministério Público Estadual para a situação de insegurança nas escolas infantis. 

"Depois que nossa iniciativa foi divulgada, a prefeitura passou a manter um guarda municipal no interior da escola e prometeu melhorar a segurança, por isso vamos aguardar mais um pouco." 

Outros grupos de mães fazem vigilância nas escolas infantis Professora Terezinha Lucas Fernandes, também no centro, e Francisco Moura Pereira da Silva, no bairro Santa Rosália. 

A prefeitura informou que a Guarda Civil Municipal mantém rondas nas 119 pré-escolas e creches municipais. De janeiro a agosto deste ano, foram registrados 147 casos de furtos e vandalismos em escolas municipais, com prejuízo de R$ 1,1 milhão. 

O comandante da GCM, Marcos Mariano, disse que as rondas estão sendo intensificadas. Ele informou ter orientado as mães para que se abstenham da vigilância às escolas, pois essa é uma competência de guardas treinados para isso. Conforme Mariano, as pessoas sem o devido preparo para essa função podem ser expor a um risco desnecessário.

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