Mães de vítimas de homicídio encontram-se no júri de Mizael

Grupos se mobilizam pela internet e tentam ser solidários a mãe de Mércia Nakashima

Luciano Bottini Filho - O Estado de S.Paulo,

12 Março 2013 | 23h31

Um blog ou uma comunidade no Facebook une os ativistas ou familiares de vítimas da violência que, nesta semana, foram a Guarulhos aguardar o julgamento de Mizael Bispo, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima. Muitos se conhecerem pela internet, e fazem caravanas por tribunais do júri Brasil afora, à espera de uma momento de atenção de um repórter ou uma câmera de TV para contar sua tragédia pessoal.

Do lado de fora do Fórum de Guarulhos, à beira das faixas de isolamento, duas mães queriam dar suas palavras de apoio a Janete Nakashima, que perdeu a filha. Após também terem filhos vítimas de homicídios, elas descobriram nos movimentos sociais pela internet uma forma de conforto.

Dona do blog brunoabnerparasempre, Andrelina Pereira veio do Pará só para assistir ao julgamento, em parte em consideração à família Nakashima, em parte para confortar a si mesma pela perda do seu filho assassinado há cinco anos. Bruno Abner era despachante de uma empresa de aviação e tinha 26 anos ao ser executado por engano por dois homens que o confundiram com outra pessoa. Juntos, os dois criminosos foram condenados em 2009 a penas que no total somavam anos.

"Infelizmente o júri é popular, está muito lotado pela imprensa e pelos familiares dos dois lados. Infelizmente ficamos tolhidos até de chega à porta do fórum criminal", reclamou Andrelina.

Marta Consoli, mãe de uma jovem de 19 anos morta em 2011, tornou-se praticamente uma habitué de juris populares. Bianca Consoli foi encontrada por Marta próximo à entrada da sua casa, na zona leste de São Paulo. O namorado dela deverá ser julgado em abril. Desde que começou a se envolver com as investigações, Marta tem sido uma usuária fervorosa de mídias sociais - o grupo Justiça é o Que se Busca tem acompanhado pelo menos dez júris no último ano e faz discussões pelo Facebook. Em fevereiro, Marta estava com camisetas do grupo no julgamento que condenou Gil Rugai, o ex-estudante de Teologia acusado de matar o pai e a madrasta. Nesta segunda-feira, 11, ela usava uma camisa com o rosto da filha.

Pela primeira vez nos dezoito meses após a morte da filha, ela não não poderá sentar na plateia de um júri. "Sempre venho para dar a força para as outras mães. Conheço a Janete. Estou aqui em solidariedade a ela também. A mesma dor que ela sente, eu sinto. Então, creio que a vitória dela vai ser grande e que a minha também vai ser grande."

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