Mães de motoboys assassinados por PMs se encontram e choram

Missa de 7º dia de rapaz morto espancado teve a presença da mãe de jovem torturado em quartel da Polícia Militar

Damaris Giuliana, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2010 | 00h00

No muro da Igreja São José, em Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, dez cartazes registravam mensagens de carinho, dor, indignação e apoio à família do motoboy Alexandre Menezes dos Santos, de 25 anos, morto no dia 8 ao ser espancado por policiais militares na frente da mãe e do irmão mais novo, na porta de casa, também em Cidade Ademar.

Família e amigos chegaram à missa de 7.º dia vestindo camisetas com a foto de Alexandre. A mãe, Maria Aparecida de Menezes, pegou o neto no colo para mostrar "as fotos do papai". Thiago, de 3 anos, sorriu.

Do lado de dentro havia cerca de 180 pessoas. Maria Aparecida sentou-se na primeira fileira. A viúva, Flaviana Cosmo Oliveira, de 22 anos, na quarta. Durante toda a missa, Flaviana praticamente não se mexeu. O olhar perdido só ganhava direção quando Thiago fazia alguma brincadeira. Maria Aparecida chorou bastante e mexia a cabeça, como quem concordava, toda vez que o padre falava em perdão.

Elza Pinheiro dos Santos, mãe do motoboy Eduardo Pinheiro dos Santos, morto em 10 de abril, também vítima de espancamento de PMs, chegou no meio da missa. Emocionadas, elas passaram o resto do tempo de mãos dadas.

Para Elza, a repetição da violência mostra que a polícia precisa "tomar providências urgentemente". "Eu quero ensinar para os meus netos que a polícia não é para ser temida, mas respeitada." Ela pediu investimento em segurança e no preparo da corporação.

"Agora, vou lutar para que (os PMs) sejam punidos por homicídio doloso. Isso é justiça", disse Maria Aparecida.

Indenização. O governo do Estado de São Paulo informou ontem que vai indenizar a família de Alexandre. Os quatro soldados suspeitos de cometer o crime estão presos no Presídio Romão Gomes, no Tremembé, zona norte.

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