Mães acusam escola de Ibitinga (SP) de constranger alunas por mancha de sangue em banheiro

Coordenadora teria obrigado 27 pré-adolescentes a tirar a roupa para saber se estavam menstruadas

Sandro Villar, O Estado de S. Paulo

04 Maio 2013 | 00h04

PRESIDENTE PRUDENTE - Cerca de 20 mães de alunas protestaram nesta sexta-feira, dia 3, em Ibitinga, no interior paulista, depois que a coordenadora da Escola Estadual Professora Maria Aparecida dos Santos Oliveira suspeitou que meninas menstruadas haviam sujado a parede do banheiro com sangue. A coordenadora queria identificar as autoras da "travessura". Segundo as mães, a coordenadora Kerin, cujo sobrenome não foi divulgado, reuniu na quinta um grupo de 27 estudantes e ordenou que elas tirassem a roupa íntima para saber se estavam menstruadas.

"Eu me senti constrangida em tirar a roupa íntima na frente de todo mundo, não tenho vontade de voltar à escola", afirmou Vitória Caroline Pereira Trali, de 11 anos, aluna da 5ª série, acrescentando que nunca menstruou. "Quatro meninas choraram e duas passaram mal, elas não sabem o que é menstruar e não sabem o que é absorvente", observou a estudante. Ela acha que a coordenadora exagerou: "Passou dos limites, a coordenadora deveria chamar a faxineira para limpar a parede e, depois, marcar reunião com as mães de alunos", completou.

Com a repercussão negativa do caso, a reunião aconteceu nesta sexta-feira. "Se sujaram o banheiro com sangue, a coordenadora deveria ter conversado com as mães e não obrigar as meninas a passarem por esse constrangimento", afirmou a costureira Josiane Alonso, de 29 anos, mãe de Vitória. Ela participou da reunião com a diretoria da escola. Depois do encontro, a costureira disse que a coordenadora se arrependeu de sua atitude. "A coordenadora confessou que estava arrependida e a diretora quer abafar o caso", observou a costureira, acrescentando que sete meninas estavam menstruadas. "Só não examinaram todas porque algumas choraram", completou.

As mães registraram Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia da Mulher e vão contratar um advogado para entrar com ação na Justiça contra a escola por danos morais. Para rebater as acusações, o Estado procurou a coordenadora e a diretora Cleusa, cujo sobrenome também não foi divulgado, mas elas não quiseram dar declarações.

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