Google Street View/Reprodução
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Mãe vende bebê de 26 dias e inventa falso sequestro em Campinas

Antes de procurar a polícia, mulher havia feito apelo em rede social - avó paterna da criança desconfiou da história

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

14 Novembro 2016 | 14h43

SOROCABA - A mãe de um bebê de 26 dias está sendo acusada de vender o próprio filho e inventar um falso sequestro, em Campinas, no interior de São Paulo. Ela teria recebido cerca de R$ 400 pelo recém-nascido, que acabou sendo devolvido, nesta segunda-feira, 14, pela suposta compradora, uma mulher do Paraná.

A criança foi entregue à Polícia Militar de Presidente Prudente, no oeste de São Paulo, e seria levada ao Conselho Tutelar de Campinas. Familiares do pai da criança, que está preso, vão pedir a guarda do bebê.

A mãe, Hyanna Victória de Oliveira, de 20 anos, moradora de Monte Mor, disse ter conhecido a sequestradora no Mercado Municipal de Campinas, no sábado, 12. Conforme seu relato, a mulher puxou conversa, fez amizade e, quando ela quis usar o banheiro, a nova amiga pediu para segurar o bebê. Quando Hyanna saiu, a mulher tinha desaparecido com a criança.

Antes de procurar a polícia, ela postou um apelo em rede social. "Por favor, peço pelo amor de Deus para quem pegou o meu bebê que o devolva. Ele tem 25 dias e precisa de mim para cuidar dele. Só eu sei o sofrimento que estou passando e a dor que estou sentindo."

Ao tomar conhecimento do suposto sequestro, a avó paterna do bebê, Adriana Cristina de Assis, de 42 anos, desconfiou da história. "Ela me ligou e não parecia nem um pouco nervosa, não tinha nem dado queixa na polícia. Foi uma irmã dela que avisou a guarda municipal."

O boletim de ocorrência foi registrado no 1º Distrito Policial (Centro). A desconfiança aumentou quando Hyanna foi visitar o marido preso e ele viu que ela tinha cerca de R$ 400 na carteira.

"Ela não trabalha e estava com dinheiro, aí abrimos o celular dela e vimos que ela estava combinando a venda do bebê antes mesmo de ele nascer." 

Segundo Adriana, a nora chegou a combinar a entrega do bebê na hora do parto. "Só não deu certo porque meu filho pegou a saidinha do feriado e foi assistir o nascimento do filho na maternidade."

Ela conta que o casal já tem um filho de cinco anos, mas contesta a versão apresentada por Hyanna à polícia, de que agiu sob depressão pós-parto.

"Como, se antes de nascer ela já tinha acertado a venda? A mulher que comprou até reclamou que já tinha gastado muito com o bebê", disse Adriana. "Ela não fala o valor, mas dá a entender que já havia mandado dinheiro para ela." 

A avó do Victor Hugo, como se chama o bebê, quer a guarda do neto. "A gente cuidou dela (a mãe) na gravidez, inclusive ela tinha um quarto em casa, mas agora ficou claro que ela não tem condições de cuidar do bebê", declarou. "Nós temos, a casa é própria e meu marido trabalha há 15 anos na mesma empresa como operador de máquinas."

Ela disse que o filho, pai do bebê, está preso, mas já progrediu para o regime semiaberto. "Ele está pagando pelos erros dele, a criança não tem culpa. O outro filho está com a avó da Hyanna. Nós vamos lutar pela guarda do Victor Hugo."

A mulher acusada de comprar o bebê foi presa nesta segunda-feira em Presidente Prudente, no oeste paulista. Ela recebeu voz de prisão quando era ouvida pela Polícia Civil, após procurar a Polícia Militar para devolver a criança. Depois que recebeu o bebê da mãe, Hyanna Victória de Oliveira, de 20 anos, no mercado de Campinas, a mulher viajou para Prudente e ficou hospedada numa casa, no Parque Shirawa, na zona sul.

Ela informou que é formada em medicina, na Bolívia, o que ainda é investigado pela polícia. A suspeita vai responder pelos crimes de dar parto alheio como próprio, alterar direito de recém-nascido e outros crimes. Ela foi levada para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista.

A reportagem entrou em contato com Hyanna, mas ela não retornou as ligações. Conforme familiares, ela teria viajado para Presidente Prudente, na tentativa de reaver o filho.

Segundo a polícia, o Conselho Tutelar de Campinas deve levar o caso à Justiça, que definirá o destino do bebê.

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