Mãe mantinha filhas de 12 e 15 anos acorrentadas para evitar prostituição

Doméstica de Itu saía para o trabalho e deixava filhas trancadas em casa com medo de que também usassem drogas

José Maria Tomazela,

16 de abril de 2013 | 16h17

Com medo de que as garotas se prostituíssem ou usassem drogas, a doméstica L., de 33 anos, mantinha as filhas de 12 e de 15 anos acorrentadas quando saía para o trabalho, em Itu, região de Sorocaba. As meninas foram libertadas no fim da tarde de segunda-feira (15) pela Guarda Civil Municipal, depois de uma denúncia anônima. Os guardas encontraram as adolescentes imobilizadas pelas correntes, presas aos pés por um cadeado. A casa, uma residência simples, no bairro Cidade Nova, zona sul da cidade, era mantida fechada à chave durante a ausência da mãe.

 

Aos guardas, a mulher disse que fazia aquilo pelo bem das garotas."Aqui tem muita prostituição e droga e eu prendo minhas filhas para elas não chegarem ao ponto de se prostituírem e se drogarem", disse.

Segundo ela, as meninas costumavam fugir de casa e ir para uma avenida do bairro, onde garotas de programa fazem ponto e há consumo e venda de drogas. A doméstica foi abandonada pelo companheiro e cuidava sozinha das filhas. A garota mais velha contou que saía de casa para se encontrar com um namorado. "Eu tenho namorado, então eu fujo por causa dele." Ela disse que a irmã mais nova também costuma fugir para ir à avenida.

 

Levada a uma delegacia da Polícia Civil, a mãe foi ouvida e liberada, mas vai responder ao inquérito por maus tratos. As adolescentes passaram por exames médicos e foram encaminhadas para o Conselho Tutelar. De acordo com a Guarda Municipal, não foram constatadas lesões nas meninas, a não ser escoriações leves no tornozelo pelo uso da corrente. A Justiça vai decidir se as garotas serão encaminhadas para um abrigo ou se voltam a ficar sob os cuidados da mãe.

 

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