Mãe, filha e neto ficam na mesma penitenciária

Faltam pouco mais de dois meses para "o pior dia da vida" de Larissa de Castro, de 20 anos, mãe de Jorge (nome fictício). Em 6 de dezembro, seu primeiro filho completará 6 meses - e, logo de manhã bem cedo, será tirado de seus braços. Ainda não se sabe ao certo para quem o bebê será levado.

O Estado de S.Paulo

25 de setembro de 2011 | 03h01

É o caso que mais demanda atenção do grupo de psicólogo e enfermeiras da Penitenciária Feminina 2 de Tremembé. "As outras presas têm outros filhos, além do bebê que está com elas aqui. Larissa é a única que foi mãe pela primeira vez aqui e, por isso, fica mais sensível. Conversamos muito com ela, para tentar amenizar o sofrimento", explicou Ligia Toledo, diretora de reintegração e atendimento à saúde da penitenciária.

No caso de Larissa, há ainda outra agravante: ela se preocupa com o futuro do filho porque, fora da cadeia, sua família está desmantelada. A começar pela mãe, Claudia, também presa em Tremembé respondendo pelo mesmo crime da filha: associação ao tráfico. Ela visita Larissa e o neto toda sexta-feira, por uma hora. "É a maior dor que pode haver. Errar e ver a família toda ficar em um lugar assim é tristeza difícil de apagar", disse Claudia, de 41 anos. As duas estão em prisão preventiva e aguardam julgamento. "Tenho fé de que vamos sair ainda antes de chegar a hora de meu filho sair", disse Larissa, que costuma ficar com o filho sentada em bancos coloridos tardes inteiras, sem muita conversa com as outras detentas.

Casa das mulheres. Para filhos de presas que vão à penitenciária nos fins de semana para as visitas, o local ganhou um eufemismo. "Minha filha chama o presídio de 'casa das mulheres' e acha que gosto daqui", contou Roseane Souza, mãe de Lauana, de 3 anos. "Quando ela crescer, vou explicar, mas, por enquanto, deixa assim. Ela acha que estou trabalhando."

Projetada com playground, brinquedoteca e área de artesanato - "para tirar a cara de prisão" -, a área de visitas recebe entre 30 e 50 familiares nos sábados e domingos. "São só algumas horas, mas servem para aguentar o restante da semana", conta Alice Victorino, de 26 anos, presa em Jacareí. "Só o fim que é triste demais. Minha filha gruda na camiseta e pergunta, chorando, por que não volto. Passo o resto do dia mal."

Grávidas. Uma discussão comum entre as gestantes presas em Tremembé é se é melhor criar seus filhos na prisão por seis meses, ou se devem deixá-los, desde o começo, com outros familiares. "A separação seria sofrida demais, para ele e para mim. Então, vou deixar com a avó assim que ele nascer e ele nunca terá de saber disso", disse Gisele Santana, de 29 anos, grávida de 6 meses. "No meu caso, não vou abrir mão da amamentação. Nem que sejam seis meses, vai ser importante para ele", afirmou Pamela Ramos, de 25 anos. Além das detidas na área de amamentação, outras dez gestantes estão presas em Tremembé. /V.H.B.

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