Mãe entrega filha de 13 anos para pagar droga

Testemunhas disseram à polícia, em Paulo Afonso (BA), que mulher cedeu menina a traficante para não ser morta; envolvidos negam acusação

Tiago Décimo, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2010 | 00h00

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil da Bahia acusa uma mãe de "dar" a filha de 13 anos a um traficante de Paulo Afonso (BA), a 434 km ao norte de Salvador, na divisa com Pernambuco, por causa de uma dívida de drogas.

O caso foi descoberto no dia 3, durante uma operação de combate ao tráfico na região feita pela delegacia do município em conjunto com a 18.ª Coordenadoria Regional de Polícia (Coorpin). A operação tinha como objetivo reprimir a comercialização de entorpecentes durante a Copa Vela - uma micareta que tradicionalmente ocorre na cidade no início de setembro.

A operação, denominada Alvorada pela polícia, resultou na prisão em flagrante de quatro suspeitos, em dois imóveis. Entre os detidos estavam Damião Antônio Domingos, de 30 anos, conhecido como Bodinho, e Janaína Bezerra Barbosa, de 28. Na casa na qual os dois estavam foram encontrados pedras de crack, sacos plásticos para a venda da droga, um revólver e dinheiro - fruto, segundo a polícia, da venda de entorpecentes.

Em depoimento, Janaína negou participar da quadrilha. Disse que mora em Floresta (PE), na divisa com a Bahia, e estava na casa de Bodinho para visitar a filha, de 13 anos, que segundo ela é namorada do suspeito.

A declaração chamou a atenção dos investigadores, que passaram a apurar o envolvimento entre Bodinho e a adolescente. Testemunhas teriam contado aos agentes que Janaína, viciada em drogas, contraiu uma dívida com o traficante e, para não ser morta, teria dado a filha a ele.

Estupro. Janaína nega a acusação e Bodinho nega o envolvimento com a menina, mas o delegado Ildebrando Alves afirma ter elementos suficientes para acusá-los de exploração sexual e estupro de incapaz. O local para onde a adolescente foi encaminhada está sendo mantido sob sigilo pelos policiais, que temem que ela possa ser vítima de violência por parte de outros possíveis integrantes da quadrilha.

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