Mãe encontra filho que fugiu do Cratod

Dependente químico estava em observação na unidade aguardando transferência para uma clínica quando saiu pela porta da frente

CAIO DO VALLE, TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2013 | 02h04

O dependente químico que fugiu na quarta-feira de um centro de atendimento mantido pelo governo do Estado no Bom Retiro, no centro da capital, foi encontrado ontem à tarde pela própria família. O rapaz, J.A.F., de 23 anos, estava em Heliópolis, na zona sul, a 13 km de distância. A mãe dele, a dona de casa Janicleide de Araújo Xavier, de 40 anos, não sabe como o jovem, que, além do vício em crack, tem esquizofrenia, foi parar tão longe. Ela reivindica um tratamento adequado para o filho.

De acordo com ela, J. escapou pela porta da frente do prédio do Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), na Rua Prates. A Secretaria da Saúde do Estado, responsável pela unidade, informou que abriu sindicância "para apurar a conduta dos funcionários que estavam em plantão no momento da evasão".

O viciado foi descoberto por volta das 13h30 de ontem ao lado de um abrigo para moradores de rua. O local é perto da antiga casa da família, que hoje mora em Cotia, na Grande São Paulo.

"Além disso, minha mãe vive perto, então, na cabeça dele, é sempre aquele mesmo caminho. Ele só conhece essa região." Um amigo da família viu J. e telefonou para a mãe de Janicleide, que contatou a filha. Desesperada com a falta de notícias sobre o paradeiro do filho já havia três dias, ela e o marido correram para resgatá-lo, por conta própria.

Em seguida, a família foi para o Cratod, no centro. Ao chegar lá, o rapaz logo foi colocado numa ambulância e levado para uma clínica de reabilitação em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Janicleide conta que, além dele, outros quatro dependentes atendidos no Cratod foram direcionados para esse local. A Secretaria da Saúde do Estado não foi achada, à noite, para confirmar a informação.

A mãe de J. reclama que o tratamento oferecido pelo governo é muito curto. "Dura uns 20 dias, ou, no mais tardar, 30. Isso é para a desintoxicação. Depois, a continuidade é feita no Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Mas isso não funciona no caso do meu filho e, há muito tempo, venho pedindo para que alguma clínica psiquiátrica possa abraçar a causa e deixá-lo internado por um período maior."

Para ela, isso facilitaria o seu afastamento do crack e poderia ser benéfico também para o tratamento da esquizofrenia. "Ele precisa ficar um bom tempo afastado da sociedade porque é incapaz de levar uma vida civil. A cabeça dele é a de uma criança."

Janicleide, que conta não ter conseguido comer ou dormir direito nos últimos dias por causa do desaparecimento do filho, pretende seguir procurando uma clínica privada que se sensibilize com J.. Como ela, outras mães e familiares de dependentes do crack procuraram o Cratod na última semana para tentar encaminhar o tratamento.

A procura maior na clínica foi motivada pelo iníncio, na segunda-feira, de uma força-tarefa do governo do Estado para a internação compulsória de usuários que estejam à beira da morte ou colocando outras vidas em risco na cracolândia. O anúncio, porém, não foi entendido assim por muitas mães, que buscaram o Cratod para internar os filhos.

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