Mônica Reolom/Estadão
Mônica Reolom/Estadão

Mãe é presa e acusada de matar as duas filhas adolescentes no Butantã

Polícia. Corpos foram descobertos após vizinhos chamarem os bombeiros por causa de vazamento de gás; encontrada no chão da sala, corretora de imóveis teria confessado o crime e dito que queria morrer; polícia vai interrogá-la

Mônica Reolom, O Estado de S.Paulo

16 de setembro de 2013 | 02h06

A corretora de imóveis Mary Vieira Knorr, de 53 anos, foi presa em flagrante neste sábado, 14, pela polícia sob a acusação de ter assassinado as duas filhas, de 13 e de 14 anos. O crime aconteceu na casa onde viviam, no Butantã, na zona oeste de São Paulo. Mary, que teria tentado o suicídio, foi encontrada anteontem à tarde com as jovens. Ela parecia agonizar no chão da sala e teria confessado o crime. Disse que havia matado as filhas e afirmou que queria morrer.

Uma denúncia sobre um vazamento de gás feita ao Corpo de Bombeiros levou à descoberta do crime. Quando os bombeiros chegaram à casa, um sobrado da Rua Doutor Romeu Ferro, na Vila Gomes - região do Butantã -, encontraram o imóvel trancado. Não havia sinais de arrombamento e ninguém respondia aos chamados. O cheiro de gás vinha da casa. Os bombeiros decidiram entrar e encontram a mãe na sala.

Havia sinais de gasolina derramada em seu corpo. O gás estava aberto. Na parte superior da residência, encontraram as duas adolescentes. Os corpos de Paola Knorr Victorazzo, de 13 anos, e Giovanna Knorr Victorazzo, de 14, estavam cada um em um beliche. Segundo a polícia, havia sinais de estrangulamento e as duas devem ter morrido por asfixia.

O quarto estava revirado e com fezes de animais - a perícia suspeita que as jovens estivessem mortas havia dias. No box do banheiro do quarto havia um cachorro morto com um saco plástico amarrado na cabeça.

Mary, que é divorciada e tem outros dois filhos, de 27 e 31 anos, foi levada por uma unidade de resgate dos bombeiros para o pronto-socorro do Hospital Universitário, onde permanecia internada em observação sob efeito de sedativos, com escolta. Segundo o hospital, a corretora está "clinicamente bem". À tarde, ela passou por um exame psiquiátrico no pronto-socorro da Lapa e retornou.

Policiais do 14.º DP (Pinheiros) tentaram interrogá-la no hospital, para saber o motivo do crime, mas não foi possível. Peritos do Instituto de Criminalística devem fazer a perícia do local. Ao Instituto Médico-Legal ficará a tarefa de determinar como as jovens foram mortas.

Segundo a PM, Mary tinha passagem na polícia por periclitação de vidas (pôr em risco a vida de alguém) e estelionato. Uma amiga de Mary contou que ela tinha muitas dívidas.

Pichação. A casa onde o crime aconteceu amanheceu pichada ontem com a frase "Não existe amor em SP". Vizinhos disseram que não tinham contato com Mary, mas que ela e as meninas moravam na casa, alugada, havia menos de um ano.

Uma ex-colega de Paola contou que as três mudavam de casa com frequência. "Elas nunca arrumavam muito as coisas. Era como se fossem se mudar em seguida." A ex-colega as descreveu como tímidas e doces.

Segundo a bancária Juliana Folon, mãe do melhor amigo de Giovanna, o garoto relatou que mãe e filha tinham uma relação conturbada e a jovem tomava antidepressivos. Em frente à casa havia muitos móveis. "Sempre achamos estranho isso tudo jogado", disse uma vizinha.

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