Bruno Lupion/Reprodução
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Mãe e filho morrem soterrados por deslizamento de terra em Mauá

A irmã adolescente e seu tio estavam no local e conseguiram escapar com vida

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

05 Janeiro 2011 | 02h23

MAUÁ - O garoto Tauã Trindade da Silva Lima, de 11 anos, e sua mãe Deise Trindade dos Santos, de 34, são as primeiras vítimas das chuvas deste ano no Estado de São Paulo. Eles morreram na noite de terça-feira, 4, soterrados por um deslizamento de terra na casa onde moravam, no Morro do Macuco, no Jardim Zaíra, em Mauá, no Grande ABC. A irmã adolescente de Tauã, de 13 anos, e seu tio, Carlos Santos, de 23, estavam no local e conseguiram escapar com vida. A casa de alvenaria ficou completamente destruída pela lama que desceu da encosta.

 

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Tauã cursava a 5ª série do ensino fundamental e foi encontrado morto ao lado da porta da casa, dez minutos após a chegada do Corpo de Bombeiros. O corpo de sua mãe, que trabalhava como faxineira em São Caetano do Sul, também no ABC, foi localizado após cerca de dez horas de buscas nos escombros, que contou com o apoio de cães farejadores e um trator.

 

O marido de Deise e pai das crianças, o auxiliar Édson Edmilson da Silva Lima, de 38 anos, estava na casa de amigos quando foi avisado sobre o deslizamento, por volta das 20 horas. Ele mora no bairro desde que nasceu e acredita que o acidente ocorreu por causa de moradores que estão construindo casas no alto do morro, jogando para baixo a terra retirada e o esgoto das residências. "O solo fica fofo e escorrega", explica. Pela mesma razão, a mãe de Deise, Rita Trindade dos Santos, de 53 anos, decidiu no ano passado sair da casa destruída pelo deslizamento, onde vivia com o casal desde 2006. "Quando chovia sempre descia terra lá de cima, tinha muito medo", conta.

 

A Defesa Civil Municipal interditou cerca de dez casas no entorno por causa do risco de mais deslizamentos. Segundo a assessoria da prefeitura de Mauá, um mapeamento realizado em 2004 considerou a área do Morro do Macuco como de risco e sugeriu a remoção dos moradores, o que não foi feito.

 

"Todo ano é assim na época de chuva. Os moradores sabem, as autoridades sabem, mas todo mundo fecha os olhos", diz Alvino Alves Dias, 56 anos, vizinho de Édson. "A Defesa Civil aparece quando ocorrem as tragédias, mas não realiza um monitoramento constante", afirma. Abalado pela morte do filho, Édson pedia providências ao poder público. "Eles deviam fazer conjuntos habitacionais para que o pessoal possa pagar aos pouquinhos. Ninguém mora em favela por que quer", diz. A irmã de Tauã e seu tio, irmão de Deise, foram levados ao Hospital Nardini e não corriam risco de morte, segundo os bombeiros, que enviaram 32 homens para a operação de resgate.

 

(Matéria atualizada às 7h00)

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