Mãe e filho morrem em prédio no Sumaré

Eles caíram do 15º andar; caso foi registrado como homicídio seguido de suicídio, mas será investigado pela Corregedoria da polícia

O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2012 | 03h04

Mãe e filho caíram do 15.º andar de um edifício na Praça Irmãos Karmann, no Sumaré, zona oeste da cidade, na madrugada de ontem. O caso foi registrado no 7.º Distrito Policial (Lapa) como homicídio qualificado seguido de suicídio. Apesar de os indícios apontarem que a mãe jogou a criança e depois pulou, a Corregedoria da Polícia Civil também vai investigar o caso porque a vítima era ex-mulher de um investigador suspeito de enriquecimento ilícito.

Eram 2 horas quando a Polícia Militar foi acionada para retirar os corpos de Cássia Cristina dos Santos Nunes Gomes, de 33 anos, e de seu filho, Ismar José da Cruz Júnior, de 6, do pátio do prédio. Segundo o porteiro, ele ouviu o som de dois objetos caindo. O segundo estrondo foi mais alto, o que leva a polícia a trabalhar com a hipótese de que a criança caiu antes.

Quando o porteiro foi ao local ver o que ocorria, deparou-se com os corpos das vítimas. Moradores indicaram aos policiais o apartamento onde os dois moravam. Agentes encontraram a porta destrancada. Dentro, segundo os policiais, também foram achados bilhetes nos quais Cássia explica as razões do suposto suicídio, relacionadas a ciúmes. Vizinhos disseram que ela vinha apresentando sintomas de depressão.

Na varanda, também foi encontrada uma tesoura, supostamente usada para cortar a rede de proteção. O porteiro afirmou aos policiais que ninguém havia entrado no apartamento das vítimas naquela noite. A polícia pediu imagens de câmeras internas para confirmar a versão.

Patrimônio. Cássia estava separada do investigador da Polícia Civil Ismar José da Cruz, com o qual travava disputa na Justiça em torno da divisão do patrimônio e da guarda da criança que morreu. Cruz também tinha uma filha de 14 anos de outro casamento.

Segundo o advogado do investigador, Jonas Marzagão, no fim de semana Cruz, que tinha a guarda do filho, vinha tentando localizar a ex-mulher e a criança, que já deveria ter retornado para a casa dele.

Cruz e o advogado chegaram a conversar sobre um mandado de busca na Justiça para que a mãe lhe devolvesse a criança. Só não entraram com o pedido porque não sabiam o endereço onde eles estavam. Marzagão afirmou que Cruz está arrasado e lamenta o ocorrido.

Com salário de R$ 3,5 mil, Cruz é suspeito de ter amealhado um patrimônio milionário lavando dinheiro de supostas propinas e da venda de entorpecentes apreendidos em operações policiais e desviados no período em que trabalhou no Departamento de Estadual de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil. Ele está sendo investigado pela Corregedoria da Polícia Civil e por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro (Gedec).

Em outubro, a pedido dos promotores, a Justiça decretou o sequestro de seus bens. Entre eles estão um apartamento na Rua Monte Alegre, em Perdizes, avaliado em R$ 1,7 milhão, outro na Rua Diana, no mesmo bairro, além de carros de luxo e dois lotes no Condomínio Porta do Sol, em Itu, avaliados em R$ 1 milhão.

A denúncia foi feita com base em informações passadas por Cássia à Justiça. Na época, Marzagão afirmou que nenhum dos bens de alto valor pertencia ao investigador. O advogado disse ainda que as acusações eram "devaneios da ex-mulher (Cássia)", que era ciumenta e teria causado a confusão. O caso foi transferido para 23º DP. / BRUNO PAES MANSO E RICARDO VALOTA

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