Mãe desiste de internar filho que é dependente

Primeiro caso de tratamento compulsório da cracolândia foi suspenso a pedido da família

TIAGO DANTAS, O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h05

A família de um usuário de drogas que seria internado ontem, após determinação do plantão judiciário instalado na cracolândia na segunda-feira, desistiu do pedido de tratamento. O caso do jovem chegou a ser divulgado anteontem como sendo a primeira decisão de internação compulsória do novo serviço.

Nos três primeiros dias do plantão judiciário no Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), na Rua Prates, no centro, foram feitas 18 internações de dependentes químicos - entre voluntárias e involuntárias (quando o paciente não quer ir para a clínica, mas há um pedido feito por sua família e um laudo médico aconselhando o procedimento).

O juiz Iasin Issa Ahmed, responsável pelo plantão judiciário, afirmou ontem que determinou a internação compulsória do paciente (que não precisa de pedido da família), que deveria ser buscado em casa. "Embora a família tenha pedido a internação, o que a transforma em involuntária, o usuário teria que ser buscado em casa contra sua vontade", explica o juiz Ahmed.

Uma ambulância com profissionais do Cratod foi até a casa, com a mãe do dependente químico. Ele não quis entrar no carro, e a mãe resolveu desistir do pedido de internação. Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ou do Corpo de Bombeiros poderiam ser acionadas para cumprir a determinação judicial em caso de resistência, mas ela não quis que isso fosse feito.

Por causa da desistência, a Defensoria Pública solicitou que a mãe do usuário de drogas seja ouvida novamente pela junta judiciária, já que teria desistido da ação, e questionaram se o pedido era, afinal, de internação compulsória ou involuntária.

Transferido. Elson Aparecido Medeiros, de 22 anos, que estava em observação no Cratod desde terça-feira, foi enviado para a internação em um hospital de Pirituba, zona oeste, ontem. A notícia foi comemorada pela dona de casa Sônia Aparecida Klein, de 48 anos, que teve que amarrar o filho na cama três dias antes de levá-lo ao Cratod. "Ele precisa da internação", disse Sônia.

Já a aposentada Tânia Cristina Silva, de 58 anos, ainda aguardava ontem uma solução para o caso do seu filho, Fernando de Azevedo Silva, de 30 anos. Ele tentou se suicidar tomando veneno sábado e anteontem, após deixar a comunidade terapêutica de Campinas para onde foi levado. A Secretaria de Saúde disse que seu quadro clínico não justificava uma internação involuntária.

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